sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

                                            AGORA,
                                                    NA QUADRA DO AMOR...
                                                   
Desabafos
antigos

   
     Debruçado numa das janelas, de grandes vidros, dum enorme e inóspito corredor  que mais faz lembrar os antigos claustros daqueles austeros conventos para onde se ia com o coração repleto de devoção e em busca de sofrimento, tento adivinhar a paisagem escondida pela frondosa ramaria das verdes e altaneiras árvores deste jardim secular, entretenho-me divertidamente a observar a guerreia entre os azougados pardalitos com os seus ancestrais inimigos urbanos  -  os arrogantes e poderosos pombos  -  a ver qual deles consegue o maior naco de pão daqueles pedaços que eu me vou entretendo a lançar cá de cima. Lei natural da vida ;  come-se para não ser comido. Os maiores tentam roubar o naco aos mais fracos :  - primeiro eu, depois---se sobrar...
  Deus assim fez o Mundo, e sempre assim será até à consumação dos séculos. Mas graças a  esse mesmo Deus há exceções lindas de registar.
   Temos lido relatos espantosamente comoventes sobre atitudes descobertas em certos cãezinhos que abandonados pelos donos ou porque estes repentinamente deixaram o nosso  Mundo mercê de morte súbita. Ou porque o coração  empedernido duns outros, não sentiram pena ou remorsos. teimaram em não abandonar o local onde os deixaram morrendo de fome e frio, se  a tanto forem obrigados, como que a quererem deixarem ficar a afirmação duma inabalável dedicação a quem já foi o seu companheiro de todos os momentos e como tal, certamente...vai voltar breve em sua busca.
   Mais comovente ainda aqueles extraordinário caso do cãozinho que foi mais longe na sua dedicação ao dono  : - após a morte deste, acompanhou à distância o seu funeral  e, tranquila e discretamente, foi-se deitar sobre a sua sepultura acabando também por morrer da tal fome e  do impiedoso frio.
    Provavelmente muitos outros mais exemplos ocorrem por muitos sítios que não chegam ao nosso  conhecimento.                                                                                                                      sã
   É Natal, a chamada quadra do amor porque pelo seu significado  as pessoas chamados a reflectir e a dar um pouco de si ao seu semelhante. Pelo menos era o que devia acontecer sempre e espontaneamente...  só que, infelizmente,  é também uma quadra de mentiras e hipocrisia em que a maioria dobra a servis para  - desejar boas festas a V.Exa.  e família -  oferecer uma prendasita, muitas vezes sem qualquer préstimo, apenas para ficar bem visto.    Trocam-se beijos e carícias e no resto do ano vivem como se fossem estranhos entre-si.
   Ofereceu-se um pacote de arroz ou açúcar à  organização, julgando assim ter-se conquistado  um lugar no céu e durante o resto do ano vira-se a cara para não encarar a miséria que por todo o lado grassa.
   E afinal pouco seria preciso para que a humanidade sentisse mais o seu semelhante e lhe fosse mais dedicado
   Bastava seguir  o exemplo  do humilde cãozinho...
 

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