quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Desabafos
antigos.                                       


CONTINUAÇÃO


                  Em relação ao pequeno comércio há outro assunto que me parece mais digno de ser realçado : a importância que em termos turísticos tem para o nosso País e para a nossa  ( nossa, sublinhe-se bem ) economia já que o dinheirinho fica por cá e não viaja para os países em que pertencem a  maioria  das tais superfícies, e quando refiro turismo estou a recordar aquelas  artérias na maioria das povoações que, vedadas ao trânsito automóvel se chamam de ruas comerciais que atraem centenas de visitantes, possíveis clientes, cuja maioria  - é bom não esquecer -  são turistas , muitos estrangeiros ,que ali fazem pontos de observação e lazer.
  Falando do Algarve em particular, lembro : Vila Real, Tavira, Olhão, Loulé, Faro, Albufeira, Lagoa, Silves, Portimão, Alvor, Lagos, e outras mais,  que têm a sua " rua do comércio"por onde se deslocam centenas de pessoas, umas escolhendo, outras comprando estacionando em belas  e tranquilas esplanadas onde convivem  ou fazendo parte da sociedade que integram, pois têm tempo para tudo. Até para encontrar velhos amigos e trocar dois dedos de conversa. Ou, no caso do turista sobretudo estrangeiros, gozar as delícias do  nosso incomparável clima observando ao mesmo tempo os usos e costumes da nossa gente.  E isto é cultura.
  Uma rua comercial é algo que confere uma particular beleza à terra onde se encontra.
  Não é inédito. Há muitos anos, e sempre me recordo, de nas grandes cidades do  mundo inteiro existirem as tais ruas vedadas. Desde Nova Yorque a Paris... Aqui, por exemplo está lá o Lafayette, mas isso para as bolsas largas. O comércio miúdo continua a existir sem a preocupação da sombra dos grandes gigantes porque vivem com estatutos diferentes. Mas nós por cá...
  Há dias estive em Loulé na tal " Rua do Comércio " e foi um encanto deveras surpreendente . Estrangeiros, muitos estrangeiros deambulando pelas muitas lojinhas ali existentes, dando-lhes vida e, sobretudo, informando-se da origem dos produtos em venda - " se era,m de facto portugueses? heis a questão ". Segui alguns; quis apreciar das sua emoções e confronto com a verdade dos produtos nacionais e, confesso, inchei de satisfação pelo que fui ouvindo. Até eu que só passara duas vezes por ali apressadamente, fiquei deslumbrado, imagine-se, ao descobrir  por lá um verdadeiro museu do caçado em arte manual. Julgo que ali falta qualquer artefacto que se usava em tempos de antanho para fabricar calçado. São milhares de peças desde as muitas sovelas aos mais incríveis instrumentos da arte de sapateiro que está ali perfeitamente representada.
  E ninguém  - a nível oficial - dedica um pouco de tempo a tal preciosidade da cultura artesanal portuguesa !!!
   Poucos metros de uma artéria com um movimento intenso, um colorido especial que só deste modo se pode desfrutar. Imagine-se !, Nem faltando até a clássica animação de rua, da responsabilidade de um exímio acordeonista de ocasião que interpretando a nossa música popular  chegando ao atrevimento de executar  ( e muito bem ) a peça  " As Czardas de Monti ". Chamava-se  - ao que parece  - Joaquim Neves que ia merecendo fortes aplausos  - a respectiva moedinha do espectador fortuito . 
  Não ! Não há qualquer comparação.
   As pessoas (que nós presumimos de inteligentes sabem isso  muito bem, o que nos leva a perguntar  : « Que diabo , se é assim que raio de interesse têm eles em aprovar a constante "poluição " das megas- superfícies nas nossas cidades ?
  Ou será que não devemos perguntar por ser óbvio de mais ?


José Clarel

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