terça-feira, 29 de novembro de 2016

Desabafos
antigos
                                             COMPARATIVAMENTE...         
                                                           EMBORA COM FRIO .

  O frio cai impiedoso sobre os corpos enregelados, cobertos ou enrolados em simples folhas de cartão que arrancaram sofregamente das caixas abandonadas nos contentores do lixo para poderem mitigar, de algum modo, os efeitos da noite gélida que se aproxima. São os tais ( os que agora se chamam  " sem abrigo " ), uma forma bastante cómoda de arredar das mentes ricas de  conforto e bem saciadas dos que  -  apesar de tudo - valha-nos Deus ! sentem que não lhes pertencem directamente tais problemas  " pois se até já contribuíram com a gorda esmola  de ...5 euros... !  para ajuda da Associação dos, etç, etç,.
   Os especialistas prevêem temperaturas, nos próximos dias a baixar significativamente. As entidades responsáveis afirmam estar a tomar as medidas  convenientes para ajudar os tais " sem abrigo ", medidas que se compreendem por : - resguardo em pavilhões ou abarracamentos e ao fornecimento de uma sopinha bem quente...
   Haja Deus !
   Recordo a minha meninice em que lá pelas minhas bandas era costume, todos os anos na quadra da Páscoa, procederem à matança de um bovino para a confecção de um bem adubado guisado e a respectiva sopa da ordem.  Chamava-se então a isso  " o bodo dos pobres ".
   Vivo o acontecimento como se fosse hoje... e eu não era dos pobres. Mas era tão gostoso!
Passaram dezenas de anos em que eu sempre sonhei ver isso a findar porque  deixaria de haver pobres, os tais pobres que sonhavam com o bodo.
   Recentemente tinha acabado a guerra, essa guerra impiedosa que tinha ceifado milhões de vidas e deixado muitos mais na completa miséria, miséria que se dizia ser o resultado da guerra. Valera o sacrificio, afirmava-se. O futuro viria a ser risonho e promissor, exactamente o mesmo que se prometia no tal 25 de Abril.  Afinal passaram dezenas de anos e o mundo agoniza de sofrimento e desespero  . Nós por cá, idem, idem. Então havia os bodos, havia pobres, mas nunca se viu alguém a dormir na rua, ao relento.
   A minha aldeia, quase toda ela constituída por gente do mar ( a classe mais pobre da sociedade, a de pé descalço ) vivia apenas e muitas vezes  com a tal sardinha para dois ou três, mas todos tinham um telhado onde se abrigar.
   A tal guerra fora de facto uma guerra terrível. Mas possivelmente graças a Deus ...passou muito lá ao longe, muito distante de nós. Talvez graças a...
      Mas nunca ouvimos falar em " sem abrigo ".
   A constatação desse facto hoje faz com que temamos que o gélido frio que nos envolve, ao olhar à nossa volta, sintamos que as lágrimas se nos  congelem de desgosto ao rolarem face abaixo.
     Afinal..

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Desabafos
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                                                             O TRÂNSITO E O
                                                         NEGATIVISMO DA LINDA CIDADE
                                                          

...da linda cidade de Faro que já foi um dos belos espelhos do nosso Algarve.
  Agora? Bem agora são apontamentos negativos que saltam de rua em rua. Vamos referir alguns:
      Comecemos pela própria entrada  - ali para os lados do Jumbo  - onde a estrada está de tal modo que parece andarmos em tractores, a saltitar por tudo quanto é sítio. Aliás, assunto que já foi várias vezes motivo de reclamações, até na Imprensa foi falado. Na cidade há ruas onde os pavimentos estão cada vez mais degradados com calçadas onde o empedrado está todo solto, um risco a provocar quedas, sobretudo para os mais idosos, especialmente à volta das tampas dos esgotos que, quando são da EDP  ou telefones, a incúria é-lhes atribuída.Menos mal que a Edilidade  ( ou quem seja ) teve a feliz ideia  ( perderam a cabeça...) de tornar os locais de espera dos minibus um pouco mais decentes, até com bancos indestrutíveis  o que revela bom gosto e sentido de saber sobre como devem ser criados certos confortos para os munícipes. Também, não é de admirar já que a rede de minibus deixa uma pipa de massa.  Porém  - e isso é o mais importante  - há que tomar em conta as passagens pedonais algumas em permanente convite ao atropelamento inevitável. Quem são os responsáveis por esse sector ? Não venham para cá com a desculpa de ignorarem tais problemas  pois eles estão bem à vista, para além de já terem sido levados  -  em tom de alerta  -ao conhecimento desses ditos i-responsáveis.
  No tocante a passagens de peões vejamos uma que é de arrepiar:
  - Na Rua do Alportel, no ponto em que nesta via se obriga a voltar à direita à entrada da Rua Dr. Rodrigues d'Avim, há uma passadeira de peões desenhada na diagonal (?) desde a esquina de cima para um ponto mais abaixo desta artéria, o que leva o condutor que entra a só se aperceber do peão quando já está em cima deste... Pois ! Dirão os ditos : «mas antes encontra-se um aviso de aproximação de passadeira »!  Mas estão a brincar connosco, ou quê ? Pois se todos os anos há centenas de atropelamentos e outros tantos mortos em cima dessas passadeiras, mesmo  com semáforos !   Para nós a solução, embora mínima,  é segurar, quando possível,  esses  "ases do volante sobretudo no caso referido, com as inevitáveis e bem simpáticas  "lombinhas".É afastar a singular passadeira  da posição diagonal e desenhá-la nos pontos perpendiculares da via.  E já agora, falando nessa malfadada curva seria bom prevenir os motoristas dos minibus para não entrarem ali como pista de corridas.   Estamos em cima dessa passagem e, pelo que temos observado, a todo o momento esperamos uma desgraça.
  Há quem se preocupe em criar nas povoações locais de lazer, quer zonas ajardinadas ou recantos propícios para tal.  (Ali estamos em Faro, não esquecer ) entre as ruas João de Deus e Garrett existe uma passadeira na diagonal que em tempos se chamou Rua do Norte - actualmente está vedada ao trânsito  - onde um artista responsável criou um pequeno recanto de encanto.Pavimentou o solo com certo requinte, colocou os habituais bancos de lazer, uns quantos pontos de presença vegetal para que ali o cidadão pudesse passar uns momentos repousantes longe do malfadado monóxido de carbono. Pois sim ! Aquele lindíssimo pedacinho está absolutamente invadido pelo domínio do " rei automóvel ". Nem aquele elegante e bem conseguida vivenda de canto escapou à invasão. É um bem conquistado  e permitido parque de estacionamento e, ainda por cima gratuito, em irónico desafio aos incompreensíveis locais onde a caixinha é rainha. Olhem, por exemplo, junto aos Correios onde uma pessoa vai com desejos de fugir o  mais rapidamente possível, não vá aparecer o tal fiscal, e nem é para estacionar, note-se...
  Aproximam-se as eleições autárquicas,  veremos...
   Até lá contente-se em ir passear na Rua de Stº António. Ali nem chove nem faz sol.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Desabafos
antigos.                                       


CONTINUAÇÃO


                  Em relação ao pequeno comércio há outro assunto que me parece mais digno de ser realçado : a importância que em termos turísticos tem para o nosso País e para a nossa  ( nossa, sublinhe-se bem ) economia já que o dinheirinho fica por cá e não viaja para os países em que pertencem a  maioria  das tais superfícies, e quando refiro turismo estou a recordar aquelas  artérias na maioria das povoações que, vedadas ao trânsito automóvel se chamam de ruas comerciais que atraem centenas de visitantes, possíveis clientes, cuja maioria  - é bom não esquecer -  são turistas , muitos estrangeiros ,que ali fazem pontos de observação e lazer.
  Falando do Algarve em particular, lembro : Vila Real, Tavira, Olhão, Loulé, Faro, Albufeira, Lagoa, Silves, Portimão, Alvor, Lagos, e outras mais,  que têm a sua " rua do comércio"por onde se deslocam centenas de pessoas, umas escolhendo, outras comprando estacionando em belas  e tranquilas esplanadas onde convivem  ou fazendo parte da sociedade que integram, pois têm tempo para tudo. Até para encontrar velhos amigos e trocar dois dedos de conversa. Ou, no caso do turista sobretudo estrangeiros, gozar as delícias do  nosso incomparável clima observando ao mesmo tempo os usos e costumes da nossa gente.  E isto é cultura.
  Uma rua comercial é algo que confere uma particular beleza à terra onde se encontra.
  Não é inédito. Há muitos anos, e sempre me recordo, de nas grandes cidades do  mundo inteiro existirem as tais ruas vedadas. Desde Nova Yorque a Paris... Aqui, por exemplo está lá o Lafayette, mas isso para as bolsas largas. O comércio miúdo continua a existir sem a preocupação da sombra dos grandes gigantes porque vivem com estatutos diferentes. Mas nós por cá...
  Há dias estive em Loulé na tal " Rua do Comércio " e foi um encanto deveras surpreendente . Estrangeiros, muitos estrangeiros deambulando pelas muitas lojinhas ali existentes, dando-lhes vida e, sobretudo, informando-se da origem dos produtos em venda - " se era,m de facto portugueses? heis a questão ". Segui alguns; quis apreciar das sua emoções e confronto com a verdade dos produtos nacionais e, confesso, inchei de satisfação pelo que fui ouvindo. Até eu que só passara duas vezes por ali apressadamente, fiquei deslumbrado, imagine-se, ao descobrir  por lá um verdadeiro museu do caçado em arte manual. Julgo que ali falta qualquer artefacto que se usava em tempos de antanho para fabricar calçado. São milhares de peças desde as muitas sovelas aos mais incríveis instrumentos da arte de sapateiro que está ali perfeitamente representada.
  E ninguém  - a nível oficial - dedica um pouco de tempo a tal preciosidade da cultura artesanal portuguesa !!!
   Poucos metros de uma artéria com um movimento intenso, um colorido especial que só deste modo se pode desfrutar. Imagine-se !, Nem faltando até a clássica animação de rua, da responsabilidade de um exímio acordeonista de ocasião que interpretando a nossa música popular  chegando ao atrevimento de executar  ( e muito bem ) a peça  " As Czardas de Monti ". Chamava-se  - ao que parece  - Joaquim Neves que ia merecendo fortes aplausos  - a respectiva moedinha do espectador fortuito . 
  Não ! Não há qualquer comparação.
   As pessoas (que nós presumimos de inteligentes sabem isso  muito bem, o que nos leva a perguntar  : « Que diabo , se é assim que raio de interesse têm eles em aprovar a constante "poluição " das megas- superfícies nas nossas cidades ?
  Ou será que não devemos perguntar por ser óbvio de mais ?


José Clarel

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Desabafos
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                                                       O PEQUENO COMÉRCIO E
                                                             OS MAIS RICOS DO PAÍS


  Os primeiros chineses de que me recordo a fazerem comércio em Portugal eram os homens das "glavatas" de seda  ( a 5$00 ) ali por Almirante Reis - Praça do Chile, etç,. Hoje são miríades que infestam, tanto quanto sabemos, toda a Europa. Pelo menos naqueles países que têm acordos com o mais populoso do Mundo.
  Pela parte que nos toca, até que nem são muito prejudiciais  - vendem milhentas baratices, afinal compradas em Espanha ou nos nossos armazéns e fábricas   - .Mas as megas-grandes superfícies   (não é assim que se diz ? ), os Jumbos, os Continentes, etç, que são autênticos glutões da estuante vida que dantes se observava em pequenas artérias  comerciais por todo o país, bulem com a nossa indignação. E não venham cá com histórias de que são responsáveis pelo empregamento  de muita gente. São, de facto, mas há que fazer bem as contas pois se dão emprego a 1000 pessoas deixam no desemprego 3000 com a crise que provocam  no comércio tradicional que se vê obrigado a encerrar porque não pode competir. E não se julgue que por lá os preços são muito baratos, conversa. Eu vou lá por vezes e sei o que digo. Vou ao mercado, compro um quilo de carapaus,custa-me 3 euros. Vou ao super e lá são a 2 euros - pois, e quanto tempo têm de apanhados ? Vêm do Atlântico nordeste, pode ler-se. Cabecinha vermelha, olhos de quem passou a noite na borga na discoteca, sem qualquer garantia sobre o produto, enquanto os outros são fresquíssimos  da nossa Costa.
  O pior de tudo nesses grandes espaços comerciais, é a quantidade de dinheiro que distraidamente ali se gasta.! Entramos com a intenção de comprar uma caixa de fósforos e saímos com um carrão a transbordar de coisas que afinal nem nos fazem falta alguma. Alguns, metem  " o pau na muleta, e agitam-na frente aos nossos cândidos olhinhos   acenando-a com a isca do crédito bancário  - levas hoje e pagas para o outro mês - pois é...Pot isso o orçamento familiar vai abaixo em pouco tempo.É uma tentação dos diabos a que poucos resistem. Façam o favor de comparar os preços dos produtos comestíveis  ( e não só ) la de dentro com os de fora, depois verão...
... Pois, mas é chiquérrimo ir ao Centro mostrar a nova farpela ( que até nem está ainda paga ) !
   As grandes promoções e os anúncios feitos nas televisões que nos deixam os olhos esbugalhados! Toneladas de boletins e até jornais periódicos, tudo que deve custar fortunas, quem paga ? Como é possível? Como é possível ? Dizemos nós. Como é que a batata lá dentro é a 0,49 e cá fora a 0'50 ?
É que aquelas vêm bem embaladinhas  - e lá dentro vêm 3 ou 4  podres- .e o resto que você ingénuamente  carrega no saco e que não lhe interessava nada, quanto custou ? Quanto custaria no mercado tradicional, onde você apalpa, apalpa e remexe despudoradamente ?
  Outra coisa : lembra-se do livro do ponto ?, aquele, lá na merceariazinha do bairro, onde você ia  às mercas e dizia  "Ó Sr.Luis, aponte aí que o meu homem no fim da semana...  Nos super...
  Meus amigos, o Dr. Belmiro de Azevedo não é nenhum mecenas . Não é dono de grandes superfícies comerciais para estarem  a funcionar como instituições de caridade. Porque será que êle é o homem mais rico de Portugal, ou o 2º, ou o 3º  - vai dar ao mesmo. Porque será ?

Amanhã continuaremos.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Continuação

Como ia dizendo:
  -                Sempre existiu o criminoso comum, sabemos. Sempre se roubou, matou, enganou, etç, mas os crimes de morte  - salvo raras excepções  -  eram de ordem passional, enquanto os roubos e afins implicavam arte e sabedoria. Cérebros intelegentíssimos, até por uma questão de desafio ou provocação, engendravam esquemas e processos muitas vezes considerados de geniais.Mas se o seu génio por vezes sobressaia, mais tarde ou mais cedo  estavam a contas com a justiça ( que então, sim, existia ) e passavam a maior parte da vida atrás das grades justificando a velha máxima de que  " o crime não compensa ". Todos nós temos no conjunto dos nossos caracteres, um ou outro com tendência para a marotice incluindo meter a mãozinha no bolso do alheio, e se nunca o fizemos, ( exceptuando surripiar as nêsperas ao vizinho ), deve-se à educação que nos ministraram e, sobretudo, com respeito para com a Lei.  Agora onde é que está a Lei e o respeito?
  Assistimos a um assalto, até na nossa própria propriedade, identificamos o ladrão, a ocorrência vai às mãos do juiz e este manda-o em paz  para casa, e se for preso, como tantas vezes se tem dito, pouco tempo estará à sombra, e volta ao seu mister altamente rentável e isento de impostos!Tenho até a impressão que se o Sr.Ministro os obrigasse ao IRC o País conseguiria mais alguns milhões para o erário público. Claro, isso com a atribuição da respectiva carteira profissional onde constasse por escalões a categoria atribuída. Por exemplo: desde arrumadores de automóveis a empresários corruptos.
  Pois... Mas esses são os criminosos comuns que já não nos surpreendem por tanto serem falados, ao contrário de uns outros a quem ninguém quase se refere, não sabemos bem porquê...
   De repente surge-nos no panorama actual uma série incontável de vigaristas,  burlões,ladrões,especialistas em corrupção de fortunas incalculáveis e o que acontece ?, dão-lhe uma palmadinha no ombro e mandam-lhe "cumprir a dolorosa pena "de aguentarem com mais um  luxuoso e bem pago cargo nesta ou naquela companhia ou repartição !!!
      SENHORES  ... NÃO BRINQUEM  COM ISTO   -- PORQUE SE ISTO DÁ OUTRA VOLTA...  

sábado, 5 de novembro de 2016

Desabafos
antigos                                                                    ALGUMAS INJUSTIÇAS
                                                                             DA NOSSA  "JUSTIÇA " 
                                                           E... O CRIME NÃO COMPENSA ?

Disse há tempos que isto ainda vai acabar à boa maneira antiga dos cowboys : o mais rápido a sacar é que se safa. Claro, não estou a referir-me aos agentes da autoridade  ( qual autoridade?...) porque esses, quando lhes dão a pistola, dizem logo  " isto é uma arma de defesa,hei " ! 
Eu, pelo sim pelo não, já ando com o meu pistolão dependurado à cintura com a coronha bem à vista para que os façínoras pensem duas vezes antes de se meterem comigo. É que isto está mesmo um caos no que concerne à segurança dos cidadãos e ao respeito pela propriedade alheia.
  Desde o modesto fiozinho de ouro ao pescoço com a santinha da sua devoção,  cujo valor está aí mesmo, até aos haveres domésticos, por vezes comprados com bastante sacrifício, tudo os meliantes arrebatam para trocarem por poucos euros no mercado ignominioso da droga. Isso sem qualquer receio das consequências que daí possam advir. Até porque nem chega a haver  consequências de facto, excepto para o lesado que se sente impotente perante este descalabro social levando-o a arrepelar os cabelos enquanto o facínora circula a céu descoberto pavoneando-se e gabando-se junto dos amigos que graças às fortes "chuvadas" que se têm feito sentir nos últimos tempos, as " colheitas " estão cada vez melhor ! E como não andarão satisfeitos  e contentes se sabem ter a impunidade do seu lado ?! A tal  " justiça " vela pelos seus interesses e pelos seus direitos,  os  " tais direitos do homem " para aí tão propalados mas que não contemplam  o cidadão comum. Para eles  - não há problema  : se forem presos, passados dias saem com uma " precáriazinha "e aproveitam  para mais um assaltosito e se houver bronca, que se lixe ainda são indemnizados com boa uma boa teca. O crime sempre compensa...
  O meu amigo Gonçalo  - a quem eu peço desculpa de parafrasear  -  diz que eu ando no "Triângulo das Bermudas ". Puxa, que bela imagem que ele arranjou ! Obrigado pela forcinha mas alguém tem de ir pagando ao Sr.Ministro. Afinal, justa ou injusta a multa é uma instituição nacional. E depois o que é que os rapazinhos irão fazer senão os deixam caçar bandidos ? Repito : obrigadinho pela imagem , só que a completaria afirmando que não sou só eu  mas todos nós os cidadãos do mundo  ( os honestos, claro ) que lutamos desesperadamente para escaparmos à fatal atracção do vórtice desse "triângulo "  cujas pontas apontam para o descalabro com a destruição da humanidade. A acreditar nas profecias, o Mundo acabará em chamas. Pudera, se parte dele  - para além do aquecimento global  - acumula achas para atear a fogueira...

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Desabafos
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    ESPOLIADOS DE ANGOLA
    Continuação

                                      A  CARTA  DE ROSA COUTINHO A AGOSTINHO NETO


Encimada com o Escudo da República Portuguesa sobre a legenda
             " Estado de Angola
Repartição de Gabinete do Governador Geral

                                                                                        Luanda, aos 22 de Dezembro de 1974
                                                 Camarada Agostinho Neto
  A   FNLA   e a UNITA, insistem na minha substituição por um reacionário que lhes apare o jogo, o que, a concretizar-se, seria o desmorenamento  do que  ARQUITECTÁMOS  NO SENTIDO DE ENTREGAR O PODER UNICAMENTE AO MPLA.
  Apoiam-se aqueles movimentos fantoches em brancos que pretendem perpectuar o execrando colonialismo e imperialismo português -  o tal da Fé e do Império, o que é o mesmo que dizer do Bafio da Sacristia e da exploração do Papa e dos Plutocratas.
  Pretendem essas forças imperialistas contrariar  os nossos acordos secretos de Praga, que o nosso camarada Cunhal assinou em nome do PCP, afim de que sob a égide do glorioso PC da URSS possamos estender o comunismo de Tanger ao Cabo e de Lisboa a Washington.
   A implantação  do MPLA em Angola é vital  para apearmos o canalha Mobutu, lacaio do imperialismo e dos apoderarmos da plataforma do Zaire.
   Após a última reunião secreta que tivemos com os camaradas do PCP, resolvemos aconselhar-vos a dar execução imediata à segunda fase do plano. Não dizia Fanon que o complexo de inferioridade só se vence matando o colonizador ?  Camarada Agostinho Neto, dá por isso, instruções  secretas aos militantes do MPLA para ATERRORIZAREM POR TODOS OS MEIOS OS BRANCOS, MATANDO, PILHANDO E INCENDIANDO, afim de provocar a sua debandada de Angola. SEDE CRUEIS, SOBRETUDO COM AS CRIANÇAS, AS MULHERES E OS VELHOS. para desanimar  os mais corajosos. Tão arreigados estão à Terra, esses cães exploradores brancos que só o terror os fará fugir. O FNLA e a UNITA deixarão assim de contar com o apoio dos brancos, dos seus capitais e da sua experiência militar.
  Desenraizem-nos  de tal maneira que com a queda dos brancos se arruine toda a estrutura capitalista e se possa instaurar a nova sociedade socialista ou pelo menos se dificulte a reconstrução daquela.

                                                                         Saudações revolucionárias
                                                                                   A Vitória é certa
                           ( assinatura ilegível )        
                                                                        António Rosa Alves Courinho
                                                                                 Vice Almirante


  NOTA - Este periódico logo a seguir publicou :
      " Incidente em Paris entre Mário Soares e emigrantes portugueses""
       " Ocupada a Embaixada Portuguesa " e
        " De Novo o congresso anti- apartheid. "