sábado, 22 de outubro de 2016

Desabafos
antigos.
 
                                                         O Direito de Pensar
                                                              O Direito de Falar
                                                                  E o de escrever livremente.
 
 
 .... Isto o que eu e toda a gente pensava após a apresentação da abrilíada. Mera ilusão.
   Claro que há, deveria haver, limites para tudo. Mas prometer, prometer, e depois cercear os nossos mais elementares direitos ?... Deixem-me contar-vos.
   Não creio existirem na grande maioria dos portugueses quaisquer dúvidas quanto às virtudes de se viver em liberdade, de se ter mais acesso a uma riqueza melhor repartida de se ser respeitado pela comunidade internacional. Alguns, poucos e não representativos passadistas, apenas servem para nos recordar que os valores da nossa burguesia tradicional não foram os mesmos que na Europa levaram a sua classe a resistir ao nazismo e a combater o fascismo. Mas, por outro lado, vão muito oportunamente escrevendo nas paredes das casas de banho ( vulgo, retretes públicas )como sempre se usou nestas bandas   -   porque doutro modo não podiam  "falar de barato"   - frases como  : « agora? nem dez como o outro endireitavam isto ».  E não é que esses prosadores de azulejo até têm uma certa razão ?!  Na vida para se vencer é necessário muito esforço, muito sacrifício. É lapidar. Mas, caramba, que todos verguem a mola, e não só os mais esforçados, os que quase mendigam para conseguirem a bucha.  Fui criado num ambiente bastante pobre mas onde também existia gente muito rica, mesmo muito rica, mas quando um dia foram chamados a colaborar ninguém torceu o nariz,. E ai de quem torcesse, sujeitava~-se a que torcessem o pescoço.  Éramos pobres e ricos, de diversas classes sociais, que frequentávamos a  escola primária lá do burgo.  Ali "o de Castro " ocupava a mesma carteira do "Tonho" da fábrica. E quando tocava à reguada  ( abençoadas ) o nosso querido professor  - beirão dos quatro costados -  não fazia  " 0descontos " . Todos nos tuteávamos e os mais pobres quando queriam ganhar uns tostões pediam ao ricaço  - companheiro de carteira  -  , que intercedesse junto do papá (Senhor da Parada ) para permitir que os deixassem ir ao privado clube apanhar bolas nos desafios de ténis.Vinte e cinco tostões ?! Vocês podem imaginar a fortuna que era então, quando uma carcassa
ou uma caixa de fósforos custavam dois tostões e meio; um quilo de carapau do alto valia 5 tostões e o tal bacalhau de posta grossa se vendia a 20$00 o quilo !
  Pois um desses senhores , ( com cujos filhos brincámos lá na praia ) pertencia à alta classe dos financeiros deste País. Banqueiro bastante considerado ( até há bem pouco tempo o seu nome perdurava num dos mais considerados Bancos de Portugal, e não só e que fizeram o favor de destruir ) , ouvimo-lo uma vez comentar aos seus pares lá no tal  clube, que «achava muito bem  que lhe cobrassem dividendos superiores à maioria já que a sua fortuna também era considerável » Pessoa excepcionalmente bem formada e com um coração maior que o mundo. Por isso morreu muito cedo.
  Agora, ao contrário, fala-se em milhões, largos milhões, que certos senhores da bolsa, e ate´da política, que pela calada colocam no exterior fortunas incalculáveis e ninguém lhes toca
 
 
( Amanhã acabaremos )

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