segunda-feira, 17 de outubro de 2016

       DESABAFOS                                              
       antigos.

                                    " DE VEZ EM QUANDO ACONTECE "


    Por esta ou aquela razão que agora não importa aprofundar até o modestos escrevinhadores, como eu, perdem o apetite de martelar nas pobres teclas da velha máquina.Basta só que nos belisquem  a sensibilidade humana e já está... Mas, para além das ingratidões ou desconsiderações, há sempre alguém que nos faz passar por cima desses pruridos e depois que se dane. Vamos em frente, nem que seja por despedida..., e sempre ouvi dizer  que «quem não sente, não é filho de boa gente ».
  O tema de hoje é que, de facto, de vez em quando acontece e lá vem a simpática  cartinha enviada por anónimo sujeito ( o costume ) a desancar a minha humilde pessoa , afirmando que os jornalistas em geral não passam de uma cáfila de bandidos (sic) que se aproveitam do veículo imprensa para fazerem afirmações sem verdade e por vezes ofensivas !
   Pois! Mas os que nos leram, sempre souberam quem nós somos e quando quizerem podem vir à fala, mas destapados e não a coberto do anonimato, que só revela cobardia e ignorância da verdadeira missão do jornalista, sobretudo daquele que faz do jornalismo a sua ocupação a tempo inteiro, submetendo-se , muitas vezes, a privações e sacrifícios de todo o género, às vezes à custa da própria vida. Então e nós, os amadores ?
  Há quem afirme que os jornalistas fazem críticas ao "sistema" mas não apontam as raízes do mal e que para se poder colher as rosas e os frutos não basta plantar  arbustos e árvores porque, se o terreno é sáfaro, acabam por definhar e morrer. 
  Ora isto é uma opinião com a qual discordo em absoluto.
  Um jornalista não é precisamente um médico ou um agricultor. Quando o jornalista aponta que as rosas são anémicas  e os frutos melados, compete aos técnicos e não a ele, o tratamento adequado; se aponta que uma ferida está infectada,coberta de pústulas,  compete ao médico manejar o bisturi ou receitar os medicamentos necessários ao restabelecimento do corpo do doente.
  O jornalista serve-se da palavra escrita para combater o despotismo, a tirania, a injustiça, o aviltamento. Não será ele quem tem, evidentemente, de substituir as peças no xadrez da  vida. As palavras dos jornalistas devem encontrar receptividade , encontrar eco. A sua missão é apenas alertar quem longe anda de focos infecciosos tapados com o espesso manto da mentira por aduladores  e lisonjeiros sem coragem de tomar a sua quota parte de responsabilidade no erro.O jornalista, portanto, quando critica, quando aponta mazelas, fá-lo apenas visando o bem comum, e evitando males maiores quando devia encontrar compreensão  e amizade, é muitas vezes vilipendiado, hostilizado e, por todos os meios tentam quebrar-lhe o ânimo.
  Os dirigentes e dirigidos que militam em campos diferentes, não podem viver separados pelo vácuo, por uma invisível tela que filtra todos os problemas deturpando-os. Entre esses dois campos há que existir uma ponte de livre circulação, passagem fácil, e essa ponte é o jornalista.
  Não pretendo com estas palavras definir o que é o jornalista exactamente já que os há ( e são os mais importantes, quanto a mim ) dedicados absolutamente à informação. Outros para contar uma pequena história carregam um cesto de prolixidade com entrevistas enfadonhas que ninguém lê a não ser o visado  ( que para isso, muitas vezes, entrou com algum...) . Há aqueles outros que, muito interessantemente, se dedicam ao relato de factos históricos ; os que  criticam ou comentam tudo o que honestamente consideram dever ser falado indo ao encontro, e quase adivinhando os temas, que muitos gostavam de gritar aos ventos ; enfim, imaginem  que até têm o atrevimento de chamar-se jornalistas  aqueles que, como eu, escrevinham estas enfadonhas crónicas mas que, e isso é gratificante, lá nos vão lendo.
  Naturalmente que muitos conhecemos que apenas  se movimentam  nas busca do protagonismo, procurando que com o seu nome venha sempre " a negrito " nos escritos de cordel que atamancam de forma sempre repetitiva e se fazem constantemente  ao " boneco."  Mas esses são outros...
  E por aqui me fico ! 

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