terça-feira, 30 de agosto de 2016



                    O  obscurantismo,a droga e os barões


 Quando eu era menino e moço, no tal tempo do "obscurantismo", isto é:- quando se podia a qualquer hora e por qualquer rua de qualquer povoação deste Portugal velhinho sem que nada nos incomodasse, para além duma possível gripalhada se andássemos de madrugada na boémia mal agasalhados, quando os valores morais que nos orientavam eram -respeitar os nossos pais, os mais velhos, as filhas dos outros, a autoridade constituída legalmente, a noção de patriotiosmo e regionalismo e Deus sobretudo, por isso mesmo, sem sombra de dúvida, vivíamos mais desafoga-
dos das preocupações que hoje nos afligem. Seríamos mais pobres, sim senhores, mas também o bacalhau era a comida dos pobres e hoje nem os ricos lhe chegam !  E se o obscurantismo é viver fora dos meandros da política, que felizes vivíamos nós, os mais humildes e que não tínhamos  a pretensão de angariar  "tacho" para viver sem fazer nada, que hoje é a principal intenção dos que enveredam por aquela via.
   Tacho e honrarias e cargos a troco de promessas de que farão tudo em prol do Zé Povinho.  E,
pelos vistos. isto é em toda a parte do mundo, o que me leva a acreditar que isto acabará numa bola de fogo.
   Agora o canto modificou-se, passa a dizer-se :  " As armas dos barões são assinaladas,p'la droga, p'la política ou futebol ".
   Ao que nós chegámos !!!
   Sô  "Zé Maria Pincel " não diz quatro seguidas e cultura ?, já'tatendo. Mas como ele andou a encher paredes  ( dos outros ) de cartazes p'ra campanha, o "partido" achou que o bicho merecia um tachozinho, e eize-o à frente p'raí duma junta ou algo parecido. Tá bem, é compreensível. Afi-
nal trata-se apenas de mais uma  das jumentices da nossa decrépita sociedade. Isto é na política,
e no futebol pouca diferença faz no que concerne  à mais valia dos intervenientes desse fabuloso negócio que movimenta milhões  -ou melhor  - biliões.  Mas também se aceita.Afinal só entra no meio quem quer e até porque, na essência, o futebol é uma forma de desporto e, como tal, quando bem aproveitado e conduzido honesta e decentemente, só traz benefícios aos jovens.
   Mas... a droga  Para isso não pode haver um mínimo de condescendência ou de justificação pa-
ra quem se aproveita desse nojento e cobarde negócio.  Com os barões da política,  embora  ri  -
lhando os dentes ainda vamos aguentando, quando mais não seja com a nossa indiferença. com os do futebol - idem, idem, aliás  até dá para rir de vez em quando. Agora com os da droga !!!
   É que o problema não está só nos desgraçados que caem nesse flagelo, que, coitados só mere-
cem a nossa comiseração e até, se pudermos, o desejo de ajudar na medida do possível. Porém com os traficantes, com essa cáfila de bandidos que através de um negócio porco vão destruindo a nossa juventude? Só obrigando-os a provar do próprio remédio, mas até ás últimas consequências.
Para estes, para os traficantes  "profissionais ", ainda vai havendo uma certa repugnância da so-
ciedade e alguma actuação das autoridades responsáveis, pese embora,  os  agentes  que actuam
pondo em risco a própria vida, para além dos enormes sacrifícios que suportam, muitas vezes se sintam defraudados com a benevolência dos tribunais. O  pior é que existe uma outra classe de
traficantes que não pertence aos tais chamados "profissionais", classe essa que para além do ne-
fasto mal que andam a provocar, até nem tem razão  ( se é que há alguma razão que o justifique )
para se meterem nesse negócio dado que até têm uma vida económica bem estabilizada, bons es-
tabelecimentos, bons automóveis, boa vida, enfim. Por isso ficamos surpreendidos quando de re-
pente nos chega aos ouvidos que fulano,  cicrano e mengano "foram dentro " porque andavam no narco-tráfico ! Meu Deus, isto brada aos céus  Ao que nós chegámos !
   Aqui pelo burgo, há pouco tempo, foi uma leva deles, e se eu começasse a citar nomes, certa-
mente os meus leitores caiam de c...ostas. Nomes sonantes que, aparentemente,  até mereciam certa consideração dos seus conterrâneos, andavam metidos no mais imundo negócio que se pode admitir. Que nome se pode dar a essa corja ! Será que não têm filhos ?  E agora meus amigos con-
tinuam a apertar-lhes a mão nos encontros da rua de Sto. António, ou cospem-lhes na cara, que é o que merecem ?
   Enfim...- São desabafos.


  José Clarel

                                           

Sem comentários:

Enviar um comentário