sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

                                                      

                                                        SÓ QUERO UM POUCO DE TI
                                               
                                                         Sinto-me rei
                                                         no meu trono de ilusões           
                                                         dono do que é teu,
                                                         além de ti.

                                                        Dono sem dona,
                                                        sem Senhora,
                                                        Mas...senhora dos meus sonhos,
                                                        e dos meus desejos vãos!
                                                        porque és assim,
                                                      - para mim, vida?
                                                       porque não trazes
                                                       os sorrisos de Sol ?
                                                       Com que embriagas os mortais?
                                                       Com que enlouqueces a própria loucura?
                                                       Com que deslumbras as  sombras do dia?
                                                       Estrelas sem Luz,
                                                      prendo-as em minhas mãos,
                                                      deixo-as cair...

                                                      Sem lumes, 
                                                                    sem fadigas !
                                                     Jardins sem flores,
                                                     como se tudo fosse
                                                                   um desfolhar de rosas,
                                                                            sem pétalas...

                                                   Flores ?!
                                                   Onde estão elas ?
                                                   Sempre, sempre ausentes.
                                                   Oh! Vida !
                                                   mata-me a vida
                                                   e vem morrer a meu lado :
                                                  mas...
                                                  Deixa-me ter um amanhã.
                                                  Um amanhã ?
                                                  Eu nunca tive presente.
                                                  Eu nunca tive passado !




                                                                                                 J.Clarel
                                                                                                 Natal de 2016
                                                                       

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

                                            AGORA,
                                                    NA QUADRA DO AMOR...
                                                   
Desabafos
antigos

   
     Debruçado numa das janelas, de grandes vidros, dum enorme e inóspito corredor  que mais faz lembrar os antigos claustros daqueles austeros conventos para onde se ia com o coração repleto de devoção e em busca de sofrimento, tento adivinhar a paisagem escondida pela frondosa ramaria das verdes e altaneiras árvores deste jardim secular, entretenho-me divertidamente a observar a guerreia entre os azougados pardalitos com os seus ancestrais inimigos urbanos  -  os arrogantes e poderosos pombos  -  a ver qual deles consegue o maior naco de pão daqueles pedaços que eu me vou entretendo a lançar cá de cima. Lei natural da vida ;  come-se para não ser comido. Os maiores tentam roubar o naco aos mais fracos :  - primeiro eu, depois---se sobrar...
  Deus assim fez o Mundo, e sempre assim será até à consumação dos séculos. Mas graças a  esse mesmo Deus há exceções lindas de registar.
   Temos lido relatos espantosamente comoventes sobre atitudes descobertas em certos cãezinhos que abandonados pelos donos ou porque estes repentinamente deixaram o nosso  Mundo mercê de morte súbita. Ou porque o coração  empedernido duns outros, não sentiram pena ou remorsos. teimaram em não abandonar o local onde os deixaram morrendo de fome e frio, se  a tanto forem obrigados, como que a quererem deixarem ficar a afirmação duma inabalável dedicação a quem já foi o seu companheiro de todos os momentos e como tal, certamente...vai voltar breve em sua busca.
   Mais comovente ainda aqueles extraordinário caso do cãozinho que foi mais longe na sua dedicação ao dono  : - após a morte deste, acompanhou à distância o seu funeral  e, tranquila e discretamente, foi-se deitar sobre a sua sepultura acabando também por morrer da tal fome e  do impiedoso frio.
    Provavelmente muitos outros mais exemplos ocorrem por muitos sítios que não chegam ao nosso  conhecimento.                                                                                                                      sã
   É Natal, a chamada quadra do amor porque pelo seu significado  as pessoas chamados a reflectir e a dar um pouco de si ao seu semelhante. Pelo menos era o que devia acontecer sempre e espontaneamente...  só que, infelizmente,  é também uma quadra de mentiras e hipocrisia em que a maioria dobra a servis para  - desejar boas festas a V.Exa.  e família -  oferecer uma prendasita, muitas vezes sem qualquer préstimo, apenas para ficar bem visto.    Trocam-se beijos e carícias e no resto do ano vivem como se fossem estranhos entre-si.
   Ofereceu-se um pacote de arroz ou açúcar à  organização, julgando assim ter-se conquistado  um lugar no céu e durante o resto do ano vira-se a cara para não encarar a miséria que por todo o lado grassa.
   E afinal pouco seria preciso para que a humanidade sentisse mais o seu semelhante e lhe fosse mais dedicado
   Bastava seguir  o exemplo  do humilde cãozinho...
 

sábado, 3 de dezembro de 2016

                                            OS LARES DA TERCEIRA IDADE,
                                                   E OS OLHOS CEGOS DA JUSTIÇA...

Desabafos
antigos.

                  Não duvido que isso de justiça é só para constar  nos dicionários porque, de resto...
  Aliás, até pelo seu símbolo   -  uma balança com dois pratos  ( sendo que um deles está muito mais baixo que o seu par ) se verifica que há sempre dois pesos e duas medidas...
  Que o  sr. fulano, o sr. sicrano ou o sr.beltrano  se abotoem com milhões é uma circunstância a que já nos vamos habituando,  ( uma praga made in  pós 25 de Abril )  e que quase  se pode dizer ser o pão nosso de cada dia. Que a pseudo justiça deste depauperado país tarde anos em levá-los ao tribunal , é um facto adquirido. E... enquanto o pau vai e vem, essa canalha vai fazendo anos até que um dia morrem e inteligentemente os herdeiros ficam senhores de fortunas fabulosas, enquanto os verdadeiros burlões/gatunos,   como já não estão cá...
   Pois, nada a fazer. Só há uma coisa que me faz um confusão dos diabos, é isto :Onde foram parar os milhões que roubaram  ?! Que raio de diligências que efectuaram que não conseguem localizar o "cacau" ?  Particularmente  não acredito que os responsáveis não sejam competentes ! Ná...Pois se passados alguns dias, por uma simples multa de 50 euros  porque não se pagou o parqueamento ou coisa do género, vem logo um agente da autoridade ( convenientemente armado ) com pompa e circunstância , bater-nos à porta por vezes até com mandado de captura!...  Ná ! Aí anda  outra música com que nos querem fazer dançar!  Se de facto houvesse a tal justiça, não acontecia tanta pulhice, tanta vigarice,   a modos que a passar impunemente aos olhos de quem os devia ter bem abertos.
  Olhem por exemplo o que se passa com os "lares da 3ª idade " que por aí proliferam clandestinamente  sem que ninguém ( os ditos responsáveis ) não lhes ponha cobro mas DE FORMA BASTANTE DURA. É bem verdade que , por vezes, delegados da Segurança Social lhes aparecem de surpresa e lhes encerram as portas. Mas as respectivas proprietárias, com a maior desfaçatez viram as costas e mais adiante abrem outros pardieiros do género sacando o  mais que podem aos pobres idosos  -  muitas vezes mal  tratados até fisicamente  - que por ali vegetam, na maioria abandonados pelos próprios familiares que no entanto  não se fizeram esquisitos em gozarem os espólio que eles cá deixam. E não julguem  que não sei o que estou a dizer!, já por isso passei quando os meus sogros acabaram os seus dias  num lar de idosos. Tiveram ainda assim alguma sorte pois a instituição que os acolheu, pertença da Misericórdia de Faro, é  daquelas que oferecem o máximo de condições desejáveis. Ali passaram os últimos dias da sua vida até ao seu falecimento.   E contudo até que podiam ter passado esses dias no conforto do se lar  (  porque o tinham ) merecendo os cuidados das suas filhas saudáveis e capazes. Mas como eram pobres... No entanto, abandonando o próprio lar e o marido, uma delas  fez questão de estar permanentemente junto de uma tia com o argumento  "para ela não ficar sozinha " o que não corresponde à verdade já que essa tia, perfeitamente válida, possuía uma empregada, noite e dia , a quem pagava generosamente.  Pois... mas essa tia é dona de uma razoável fortuna. Percebe-se...
  A  minha falecida mãe   ( Deus a guarde ) foi vítima de um AVC, e após várias visitas a Alcoitão, o resultado foi negativo. Ficou parcialmente  impossibilitada  perdendo, inclusive, o dom da fala o que é o pior que pode acontecer a quem sofre aquela fatalidade.  Insistiu que queria ir para um lar.  À volta da nossa residência no Estoril e até Lisboa procurei em tudo quanto era sítio, e o que fui vendo ,e do que fui testemunha, só me causava repulsa.  Assim, e contra sua vontade, decidi traze-la para minha casa de Faro para o conforto e ternura  da família até que Deus a chamou.
  Até então nunca tinha conhecido o quanto sofre um idoso que não tem família ou que a tendo é como se não tivesse.
  Um dia tive a sorte de conhecer esse extraordinário Senhor que foi o Rev.Padre Dr.Júlio Tropa Mendes, que infelizmente já nos deixou para sempre. Acompanhei um pouco a sua obra, principalmente o Lar de Idosos de Santa Bárbara de Nexe bem como  o Infantário De Estoi, e tive oportunidade de observar o que é a verdadeira cruzada de  tratar um idoso com o maior carinho e amor e, falando com alguns deles, ouvi-lhes  em palavras comovidas o quanto estavam gratos pela forma como ali eram tratados. Só assim se compreende que muitos tivessem atingido a proveta idade dos noventa e tal anos. E todos tratados do mesmo modo, fossem pobres ou de posses um pouco melhores.
  Eu pergunto :- porque não se exerce uma maior  e mais rigorosa fiscalização sobre esses "túmulos"  onde  agonizam tantos seres humanos  que um dia tão úteis e tanto contribuíram para esta ingrata sociedade que  sem qualquer piedade os vota ao ostracismo ? Porque não se exige a mais elementar preparação para cuidar da velhice ? - Porquê se fecha os olhos com indiferença aos nossos idosos ?
  Julgam os nossos responsáveis que a reforma  ( muitas vezes miserável )  é a solução ? Pois tomem em consideração : " A reforma não passa de "A Morte Subsidiada"...
  Pois há quem  - em nome da misericórdia - leve uma vida de grandes senhores.
  Vocês sabem a quem me refiro...

José Clarel

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Desabafos
antigos
                                             COMPARATIVAMENTE...         
                                                           EMBORA COM FRIO .

  O frio cai impiedoso sobre os corpos enregelados, cobertos ou enrolados em simples folhas de cartão que arrancaram sofregamente das caixas abandonadas nos contentores do lixo para poderem mitigar, de algum modo, os efeitos da noite gélida que se aproxima. São os tais ( os que agora se chamam  " sem abrigo " ), uma forma bastante cómoda de arredar das mentes ricas de  conforto e bem saciadas dos que  -  apesar de tudo - valha-nos Deus ! sentem que não lhes pertencem directamente tais problemas  " pois se até já contribuíram com a gorda esmola  de ...5 euros... !  para ajuda da Associação dos, etç, etç,.
   Os especialistas prevêem temperaturas, nos próximos dias a baixar significativamente. As entidades responsáveis afirmam estar a tomar as medidas  convenientes para ajudar os tais " sem abrigo ", medidas que se compreendem por : - resguardo em pavilhões ou abarracamentos e ao fornecimento de uma sopinha bem quente...
   Haja Deus !
   Recordo a minha meninice em que lá pelas minhas bandas era costume, todos os anos na quadra da Páscoa, procederem à matança de um bovino para a confecção de um bem adubado guisado e a respectiva sopa da ordem.  Chamava-se então a isso  " o bodo dos pobres ".
   Vivo o acontecimento como se fosse hoje... e eu não era dos pobres. Mas era tão gostoso!
Passaram dezenas de anos em que eu sempre sonhei ver isso a findar porque  deixaria de haver pobres, os tais pobres que sonhavam com o bodo.
   Recentemente tinha acabado a guerra, essa guerra impiedosa que tinha ceifado milhões de vidas e deixado muitos mais na completa miséria, miséria que se dizia ser o resultado da guerra. Valera o sacrificio, afirmava-se. O futuro viria a ser risonho e promissor, exactamente o mesmo que se prometia no tal 25 de Abril.  Afinal passaram dezenas de anos e o mundo agoniza de sofrimento e desespero  . Nós por cá, idem, idem. Então havia os bodos, havia pobres, mas nunca se viu alguém a dormir na rua, ao relento.
   A minha aldeia, quase toda ela constituída por gente do mar ( a classe mais pobre da sociedade, a de pé descalço ) vivia apenas e muitas vezes  com a tal sardinha para dois ou três, mas todos tinham um telhado onde se abrigar.
   A tal guerra fora de facto uma guerra terrível. Mas possivelmente graças a Deus ...passou muito lá ao longe, muito distante de nós. Talvez graças a...
      Mas nunca ouvimos falar em " sem abrigo ".
   A constatação desse facto hoje faz com que temamos que o gélido frio que nos envolve, ao olhar à nossa volta, sintamos que as lágrimas se nos  congelem de desgosto ao rolarem face abaixo.
     Afinal..

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Desabafos
antigos

                                                             O TRÂNSITO E O
                                                         NEGATIVISMO DA LINDA CIDADE
                                                          

...da linda cidade de Faro que já foi um dos belos espelhos do nosso Algarve.
  Agora? Bem agora são apontamentos negativos que saltam de rua em rua. Vamos referir alguns:
      Comecemos pela própria entrada  - ali para os lados do Jumbo  - onde a estrada está de tal modo que parece andarmos em tractores, a saltitar por tudo quanto é sítio. Aliás, assunto que já foi várias vezes motivo de reclamações, até na Imprensa foi falado. Na cidade há ruas onde os pavimentos estão cada vez mais degradados com calçadas onde o empedrado está todo solto, um risco a provocar quedas, sobretudo para os mais idosos, especialmente à volta das tampas dos esgotos que, quando são da EDP  ou telefones, a incúria é-lhes atribuída.Menos mal que a Edilidade  ( ou quem seja ) teve a feliz ideia  ( perderam a cabeça...) de tornar os locais de espera dos minibus um pouco mais decentes, até com bancos indestrutíveis  o que revela bom gosto e sentido de saber sobre como devem ser criados certos confortos para os munícipes. Também, não é de admirar já que a rede de minibus deixa uma pipa de massa.  Porém  - e isso é o mais importante  - há que tomar em conta as passagens pedonais algumas em permanente convite ao atropelamento inevitável. Quem são os responsáveis por esse sector ? Não venham para cá com a desculpa de ignorarem tais problemas  pois eles estão bem à vista, para além de já terem sido levados  -  em tom de alerta  -ao conhecimento desses ditos i-responsáveis.
  No tocante a passagens de peões vejamos uma que é de arrepiar:
  - Na Rua do Alportel, no ponto em que nesta via se obriga a voltar à direita à entrada da Rua Dr. Rodrigues d'Avim, há uma passadeira de peões desenhada na diagonal (?) desde a esquina de cima para um ponto mais abaixo desta artéria, o que leva o condutor que entra a só se aperceber do peão quando já está em cima deste... Pois ! Dirão os ditos : «mas antes encontra-se um aviso de aproximação de passadeira »!  Mas estão a brincar connosco, ou quê ? Pois se todos os anos há centenas de atropelamentos e outros tantos mortos em cima dessas passadeiras, mesmo  com semáforos !   Para nós a solução, embora mínima,  é segurar, quando possível,  esses  "ases do volante sobretudo no caso referido, com as inevitáveis e bem simpáticas  "lombinhas".É afastar a singular passadeira  da posição diagonal e desenhá-la nos pontos perpendiculares da via.  E já agora, falando nessa malfadada curva seria bom prevenir os motoristas dos minibus para não entrarem ali como pista de corridas.   Estamos em cima dessa passagem e, pelo que temos observado, a todo o momento esperamos uma desgraça.
  Há quem se preocupe em criar nas povoações locais de lazer, quer zonas ajardinadas ou recantos propícios para tal.  (Ali estamos em Faro, não esquecer ) entre as ruas João de Deus e Garrett existe uma passadeira na diagonal que em tempos se chamou Rua do Norte - actualmente está vedada ao trânsito  - onde um artista responsável criou um pequeno recanto de encanto.Pavimentou o solo com certo requinte, colocou os habituais bancos de lazer, uns quantos pontos de presença vegetal para que ali o cidadão pudesse passar uns momentos repousantes longe do malfadado monóxido de carbono. Pois sim ! Aquele lindíssimo pedacinho está absolutamente invadido pelo domínio do " rei automóvel ". Nem aquele elegante e bem conseguida vivenda de canto escapou à invasão. É um bem conquistado  e permitido parque de estacionamento e, ainda por cima gratuito, em irónico desafio aos incompreensíveis locais onde a caixinha é rainha. Olhem, por exemplo, junto aos Correios onde uma pessoa vai com desejos de fugir o  mais rapidamente possível, não vá aparecer o tal fiscal, e nem é para estacionar, note-se...
  Aproximam-se as eleições autárquicas,  veremos...
   Até lá contente-se em ir passear na Rua de Stº António. Ali nem chove nem faz sol.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Desabafos
antigos.                                       


CONTINUAÇÃO


                  Em relação ao pequeno comércio há outro assunto que me parece mais digno de ser realçado : a importância que em termos turísticos tem para o nosso País e para a nossa  ( nossa, sublinhe-se bem ) economia já que o dinheirinho fica por cá e não viaja para os países em que pertencem a  maioria  das tais superfícies, e quando refiro turismo estou a recordar aquelas  artérias na maioria das povoações que, vedadas ao trânsito automóvel se chamam de ruas comerciais que atraem centenas de visitantes, possíveis clientes, cuja maioria  - é bom não esquecer -  são turistas , muitos estrangeiros ,que ali fazem pontos de observação e lazer.
  Falando do Algarve em particular, lembro : Vila Real, Tavira, Olhão, Loulé, Faro, Albufeira, Lagoa, Silves, Portimão, Alvor, Lagos, e outras mais,  que têm a sua " rua do comércio"por onde se deslocam centenas de pessoas, umas escolhendo, outras comprando estacionando em belas  e tranquilas esplanadas onde convivem  ou fazendo parte da sociedade que integram, pois têm tempo para tudo. Até para encontrar velhos amigos e trocar dois dedos de conversa. Ou, no caso do turista sobretudo estrangeiros, gozar as delícias do  nosso incomparável clima observando ao mesmo tempo os usos e costumes da nossa gente.  E isto é cultura.
  Uma rua comercial é algo que confere uma particular beleza à terra onde se encontra.
  Não é inédito. Há muitos anos, e sempre me recordo, de nas grandes cidades do  mundo inteiro existirem as tais ruas vedadas. Desde Nova Yorque a Paris... Aqui, por exemplo está lá o Lafayette, mas isso para as bolsas largas. O comércio miúdo continua a existir sem a preocupação da sombra dos grandes gigantes porque vivem com estatutos diferentes. Mas nós por cá...
  Há dias estive em Loulé na tal " Rua do Comércio " e foi um encanto deveras surpreendente . Estrangeiros, muitos estrangeiros deambulando pelas muitas lojinhas ali existentes, dando-lhes vida e, sobretudo, informando-se da origem dos produtos em venda - " se era,m de facto portugueses? heis a questão ". Segui alguns; quis apreciar das sua emoções e confronto com a verdade dos produtos nacionais e, confesso, inchei de satisfação pelo que fui ouvindo. Até eu que só passara duas vezes por ali apressadamente, fiquei deslumbrado, imagine-se, ao descobrir  por lá um verdadeiro museu do caçado em arte manual. Julgo que ali falta qualquer artefacto que se usava em tempos de antanho para fabricar calçado. São milhares de peças desde as muitas sovelas aos mais incríveis instrumentos da arte de sapateiro que está ali perfeitamente representada.
  E ninguém  - a nível oficial - dedica um pouco de tempo a tal preciosidade da cultura artesanal portuguesa !!!
   Poucos metros de uma artéria com um movimento intenso, um colorido especial que só deste modo se pode desfrutar. Imagine-se !, Nem faltando até a clássica animação de rua, da responsabilidade de um exímio acordeonista de ocasião que interpretando a nossa música popular  chegando ao atrevimento de executar  ( e muito bem ) a peça  " As Czardas de Monti ". Chamava-se  - ao que parece  - Joaquim Neves que ia merecendo fortes aplausos  - a respectiva moedinha do espectador fortuito . 
  Não ! Não há qualquer comparação.
   As pessoas (que nós presumimos de inteligentes sabem isso  muito bem, o que nos leva a perguntar  : « Que diabo , se é assim que raio de interesse têm eles em aprovar a constante "poluição " das megas- superfícies nas nossas cidades ?
  Ou será que não devemos perguntar por ser óbvio de mais ?


José Clarel

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Desabafos
antigos...
                                                       O PEQUENO COMÉRCIO E
                                                             OS MAIS RICOS DO PAÍS


  Os primeiros chineses de que me recordo a fazerem comércio em Portugal eram os homens das "glavatas" de seda  ( a 5$00 ) ali por Almirante Reis - Praça do Chile, etç,. Hoje são miríades que infestam, tanto quanto sabemos, toda a Europa. Pelo menos naqueles países que têm acordos com o mais populoso do Mundo.
  Pela parte que nos toca, até que nem são muito prejudiciais  - vendem milhentas baratices, afinal compradas em Espanha ou nos nossos armazéns e fábricas   - .Mas as megas-grandes superfícies   (não é assim que se diz ? ), os Jumbos, os Continentes, etç, que são autênticos glutões da estuante vida que dantes se observava em pequenas artérias  comerciais por todo o país, bulem com a nossa indignação. E não venham cá com histórias de que são responsáveis pelo empregamento  de muita gente. São, de facto, mas há que fazer bem as contas pois se dão emprego a 1000 pessoas deixam no desemprego 3000 com a crise que provocam  no comércio tradicional que se vê obrigado a encerrar porque não pode competir. E não se julgue que por lá os preços são muito baratos, conversa. Eu vou lá por vezes e sei o que digo. Vou ao mercado, compro um quilo de carapaus,custa-me 3 euros. Vou ao super e lá são a 2 euros - pois, e quanto tempo têm de apanhados ? Vêm do Atlântico nordeste, pode ler-se. Cabecinha vermelha, olhos de quem passou a noite na borga na discoteca, sem qualquer garantia sobre o produto, enquanto os outros são fresquíssimos  da nossa Costa.
  O pior de tudo nesses grandes espaços comerciais, é a quantidade de dinheiro que distraidamente ali se gasta.! Entramos com a intenção de comprar uma caixa de fósforos e saímos com um carrão a transbordar de coisas que afinal nem nos fazem falta alguma. Alguns, metem  " o pau na muleta, e agitam-na frente aos nossos cândidos olhinhos   acenando-a com a isca do crédito bancário  - levas hoje e pagas para o outro mês - pois é...Pot isso o orçamento familiar vai abaixo em pouco tempo.É uma tentação dos diabos a que poucos resistem. Façam o favor de comparar os preços dos produtos comestíveis  ( e não só ) la de dentro com os de fora, depois verão...
... Pois, mas é chiquérrimo ir ao Centro mostrar a nova farpela ( que até nem está ainda paga ) !
   As grandes promoções e os anúncios feitos nas televisões que nos deixam os olhos esbugalhados! Toneladas de boletins e até jornais periódicos, tudo que deve custar fortunas, quem paga ? Como é possível? Como é possível ? Dizemos nós. Como é que a batata lá dentro é a 0,49 e cá fora a 0'50 ?
É que aquelas vêm bem embaladinhas  - e lá dentro vêm 3 ou 4  podres- .e o resto que você ingénuamente  carrega no saco e que não lhe interessava nada, quanto custou ? Quanto custaria no mercado tradicional, onde você apalpa, apalpa e remexe despudoradamente ?
  Outra coisa : lembra-se do livro do ponto ?, aquele, lá na merceariazinha do bairro, onde você ia  às mercas e dizia  "Ó Sr.Luis, aponte aí que o meu homem no fim da semana...  Nos super...
  Meus amigos, o Dr. Belmiro de Azevedo não é nenhum mecenas . Não é dono de grandes superfícies comerciais para estarem  a funcionar como instituições de caridade. Porque será que êle é o homem mais rico de Portugal, ou o 2º, ou o 3º  - vai dar ao mesmo. Porque será ?

Amanhã continuaremos.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Continuação

Como ia dizendo:
  -                Sempre existiu o criminoso comum, sabemos. Sempre se roubou, matou, enganou, etç, mas os crimes de morte  - salvo raras excepções  -  eram de ordem passional, enquanto os roubos e afins implicavam arte e sabedoria. Cérebros intelegentíssimos, até por uma questão de desafio ou provocação, engendravam esquemas e processos muitas vezes considerados de geniais.Mas se o seu génio por vezes sobressaia, mais tarde ou mais cedo  estavam a contas com a justiça ( que então, sim, existia ) e passavam a maior parte da vida atrás das grades justificando a velha máxima de que  " o crime não compensa ". Todos nós temos no conjunto dos nossos caracteres, um ou outro com tendência para a marotice incluindo meter a mãozinha no bolso do alheio, e se nunca o fizemos, ( exceptuando surripiar as nêsperas ao vizinho ), deve-se à educação que nos ministraram e, sobretudo, com respeito para com a Lei.  Agora onde é que está a Lei e o respeito?
  Assistimos a um assalto, até na nossa própria propriedade, identificamos o ladrão, a ocorrência vai às mãos do juiz e este manda-o em paz  para casa, e se for preso, como tantas vezes se tem dito, pouco tempo estará à sombra, e volta ao seu mister altamente rentável e isento de impostos!Tenho até a impressão que se o Sr.Ministro os obrigasse ao IRC o País conseguiria mais alguns milhões para o erário público. Claro, isso com a atribuição da respectiva carteira profissional onde constasse por escalões a categoria atribuída. Por exemplo: desde arrumadores de automóveis a empresários corruptos.
  Pois... Mas esses são os criminosos comuns que já não nos surpreendem por tanto serem falados, ao contrário de uns outros a quem ninguém quase se refere, não sabemos bem porquê...
   De repente surge-nos no panorama actual uma série incontável de vigaristas,  burlões,ladrões,especialistas em corrupção de fortunas incalculáveis e o que acontece ?, dão-lhe uma palmadinha no ombro e mandam-lhe "cumprir a dolorosa pena "de aguentarem com mais um  luxuoso e bem pago cargo nesta ou naquela companhia ou repartição !!!
      SENHORES  ... NÃO BRINQUEM  COM ISTO   -- PORQUE SE ISTO DÁ OUTRA VOLTA...  

sábado, 5 de novembro de 2016

Desabafos
antigos                                                                    ALGUMAS INJUSTIÇAS
                                                                             DA NOSSA  "JUSTIÇA " 
                                                           E... O CRIME NÃO COMPENSA ?

Disse há tempos que isto ainda vai acabar à boa maneira antiga dos cowboys : o mais rápido a sacar é que se safa. Claro, não estou a referir-me aos agentes da autoridade  ( qual autoridade?...) porque esses, quando lhes dão a pistola, dizem logo  " isto é uma arma de defesa,hei " ! 
Eu, pelo sim pelo não, já ando com o meu pistolão dependurado à cintura com a coronha bem à vista para que os façínoras pensem duas vezes antes de se meterem comigo. É que isto está mesmo um caos no que concerne à segurança dos cidadãos e ao respeito pela propriedade alheia.
  Desde o modesto fiozinho de ouro ao pescoço com a santinha da sua devoção,  cujo valor está aí mesmo, até aos haveres domésticos, por vezes comprados com bastante sacrifício, tudo os meliantes arrebatam para trocarem por poucos euros no mercado ignominioso da droga. Isso sem qualquer receio das consequências que daí possam advir. Até porque nem chega a haver  consequências de facto, excepto para o lesado que se sente impotente perante este descalabro social levando-o a arrepelar os cabelos enquanto o facínora circula a céu descoberto pavoneando-se e gabando-se junto dos amigos que graças às fortes "chuvadas" que se têm feito sentir nos últimos tempos, as " colheitas " estão cada vez melhor ! E como não andarão satisfeitos  e contentes se sabem ter a impunidade do seu lado ?! A tal  " justiça " vela pelos seus interesses e pelos seus direitos,  os  " tais direitos do homem " para aí tão propalados mas que não contemplam  o cidadão comum. Para eles  - não há problema  : se forem presos, passados dias saem com uma " precáriazinha "e aproveitam  para mais um assaltosito e se houver bronca, que se lixe ainda são indemnizados com boa uma boa teca. O crime sempre compensa...
  O meu amigo Gonçalo  - a quem eu peço desculpa de parafrasear  -  diz que eu ando no "Triângulo das Bermudas ". Puxa, que bela imagem que ele arranjou ! Obrigado pela forcinha mas alguém tem de ir pagando ao Sr.Ministro. Afinal, justa ou injusta a multa é uma instituição nacional. E depois o que é que os rapazinhos irão fazer senão os deixam caçar bandidos ? Repito : obrigadinho pela imagem , só que a completaria afirmando que não sou só eu  mas todos nós os cidadãos do mundo  ( os honestos, claro ) que lutamos desesperadamente para escaparmos à fatal atracção do vórtice desse "triângulo "  cujas pontas apontam para o descalabro com a destruição da humanidade. A acreditar nas profecias, o Mundo acabará em chamas. Pudera, se parte dele  - para além do aquecimento global  - acumula achas para atear a fogueira...

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Desabafos
antigos

    ESPOLIADOS DE ANGOLA
    Continuação

                                      A  CARTA  DE ROSA COUTINHO A AGOSTINHO NETO


Encimada com o Escudo da República Portuguesa sobre a legenda
             " Estado de Angola
Repartição de Gabinete do Governador Geral

                                                                                        Luanda, aos 22 de Dezembro de 1974
                                                 Camarada Agostinho Neto
  A   FNLA   e a UNITA, insistem na minha substituição por um reacionário que lhes apare o jogo, o que, a concretizar-se, seria o desmorenamento  do que  ARQUITECTÁMOS  NO SENTIDO DE ENTREGAR O PODER UNICAMENTE AO MPLA.
  Apoiam-se aqueles movimentos fantoches em brancos que pretendem perpectuar o execrando colonialismo e imperialismo português -  o tal da Fé e do Império, o que é o mesmo que dizer do Bafio da Sacristia e da exploração do Papa e dos Plutocratas.
  Pretendem essas forças imperialistas contrariar  os nossos acordos secretos de Praga, que o nosso camarada Cunhal assinou em nome do PCP, afim de que sob a égide do glorioso PC da URSS possamos estender o comunismo de Tanger ao Cabo e de Lisboa a Washington.
   A implantação  do MPLA em Angola é vital  para apearmos o canalha Mobutu, lacaio do imperialismo e dos apoderarmos da plataforma do Zaire.
   Após a última reunião secreta que tivemos com os camaradas do PCP, resolvemos aconselhar-vos a dar execução imediata à segunda fase do plano. Não dizia Fanon que o complexo de inferioridade só se vence matando o colonizador ?  Camarada Agostinho Neto, dá por isso, instruções  secretas aos militantes do MPLA para ATERRORIZAREM POR TODOS OS MEIOS OS BRANCOS, MATANDO, PILHANDO E INCENDIANDO, afim de provocar a sua debandada de Angola. SEDE CRUEIS, SOBRETUDO COM AS CRIANÇAS, AS MULHERES E OS VELHOS. para desanimar  os mais corajosos. Tão arreigados estão à Terra, esses cães exploradores brancos que só o terror os fará fugir. O FNLA e a UNITA deixarão assim de contar com o apoio dos brancos, dos seus capitais e da sua experiência militar.
  Desenraizem-nos  de tal maneira que com a queda dos brancos se arruine toda a estrutura capitalista e se possa instaurar a nova sociedade socialista ou pelo menos se dificulte a reconstrução daquela.

                                                                         Saudações revolucionárias
                                                                                   A Vitória é certa
                           ( assinatura ilegível )        
                                                                        António Rosa Alves Courinho
                                                                                 Vice Almirante


  NOTA - Este periódico logo a seguir publicou :
      " Incidente em Paris entre Mário Soares e emigrantes portugueses""
       " Ocupada a Embaixada Portuguesa " e
        " De Novo o congresso anti- apartheid. "

domingo, 30 de outubro de 2016

Desabafos
antigos.

                                                                O DRAMA DE ANGOLA 
                             RECORDANDO COISAS DE 1975 QUE JAMAIS ESQUECERÃO


E O TÍTULO ERA ASSIM:
   -  ESPOLIADOS DE ANGOLA  - FACTOS QUASE NO ESQUECIMENTO
          OU IGNORÂNCIA DE  CERTAS VERDADES

    Faz-nos confusão. Faz-nos mesma muita confusão como em cerca de 30 anos se arranjam fortunas colossais, sabe Deus qual a sua proveniência ! Ou talvez saibamos...As dezenas de cidadãos espoliados de Angola também sabem...
    De um desses recebemos as seguintes cartas que não temos pejo em publicar:
         " A propósito daquela série de artigos que temos vindo a publicar sobre os problemas dos espoliados de Angola, recebemos de leitor responsável mensagens de cumprimentos pelas publicações bem como fotocópias bem como algumas peças publicadas pelo Jornal O Século de Joanesburgo, datado de 14 de Março de 1977 e que, sem qualquer intenção de ideias políticas mas sempre para RECORDAR vamos transcrever.
   Traz no referido Jornal na sua capa a a cópia de uma carta que o então almirante Rosa Coutinho escreveu a Agostinho Neto.Porém, como nota de abertura, aquele periódico fazinte comunicação aos seus leitores:

    " Por se ter esgotado, entre muitas das nossas edições, a de 25/11/1975 na qual foi publicada em primeira mão a diabólica carta do famigerado Rosa Coutinho, enquanto Alto Comissário em Luanda, a seu cunhado Agostinho Neto, e de imensos pedidos recebidos de vários pedidos do mundo, e reconhecendo a impossibilidade de os poder satisfazer a todos tirando fotocópias  do documento em nosso poder, deliberámos puiblicar de novo esse monumento de terrorismo, por nos parecer oportuno e conveniente. O conteúdo deste diabólico documento jamais foi desmentido pelo seu autor, tendo, por via dele, sido chamado ao demoníaco " Concelho da Revolução ".
    O Almirante Vermelho, um dos maiores traidores da história de Portugal, goza hoje do fruto das suas manobras comunistas pagas concertesa , por Moscovo, em moeda mais forte que o desvalorizado escudo ".

   Estimado leitor, para não alongar, amanhã publicaremos a referida carta. E em resposta à pergunta que nos fizeram : - claro . os diamantes e o petróleo valem milhões. 

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Desabafos
antigos.                       

                                         O Direito de,
                                                    etç,etç,
Continuação :

                       Claro, há sempre alguém que se abotoa...Pois se nem há medo da pseudo-justiça deste País!O fulano é chamado ao interrogatório perliminar, fazem-lhe um milhão de perguntas  e se o assunto merece condenação aparece logo uma "instituição " chamada  " apelo" que percorrendo dezenas de repartições, quando chega a decisão final já o criminoso foi desta para melhor e nesse entretanto teve para por em lugar inacessível o resultado das suas habilidades.Aliás é assim que funciona a justiça na nossa terra. Cais na alçada da multa, não há forma de escapatória porque se não vais lá deixar os cêntimos, sacam-te parte da mísera reforma  ou pensão. Neste momento, por exemplo, o que passa no nosso País com o imposto de circulação, é absolutamente escandaloso. O sujeito já vendeu o carro há uns anos, mas na informática do fisco a viatura continua em nome do ex-proprietário, e então lá vem o famigerado aviso de multa a pagar o que, na sua falta, vai aumentando gradualmente até de lhe sacarem a paupérrima pensão.Isto em linguagem vernácula é um roubo dos mais escandalosos, para não dizer nojentos.Doa a quem doer, mas o dinheiro tem de aparecer.O estado não vive de salsa no quintal...
   Porém, para coisas de grande  vulto, os patamares do "recurso" são infinitos... E de tantos sabemos nós...  Pois é: hoje não há o "lápis azul " nem a "tesoura", mas as formas de cortar são muito mais duras! Quase não temos o direito de falar, de escrever, de pensar. Então, que é feito da prometida liberdade de imprensa ?!  Sendo assim só há uma solução para podermos  desabafar livremente: - o ataque cerrado às inocentes e indefensáveis paredes das nossa casas com a utilização dos "artísticos grafitis ", e ou,  saltar para a rua aos magotes  e gritar bem alto as suas queixas.
  Fez-se o 25 de Abril e julgávamos que, tal como o pensamento, o desabafar era nossa alternativa.  Mas não. Escandalizados com a libertinagem e sem vergonha que por aí campeia, mal nos lamentamos, saltam-nos em cima meia dúzia fedelhos  ( leiam-se: fedelhas ) que fingindo-se escandalizadas por estarem a ser o fendidas, exigem coartar-nos a palavra...!
Sempre ouvi dizer que a carapuça só serve a quem...

Mas isto ainda dá outra volta. Ora se dá !!!
E não esqueçam, cuidado porque a memória não envelhece...

sábado, 22 de outubro de 2016

Desabafos
antigos.
 
                                                         O Direito de Pensar
                                                              O Direito de Falar
                                                                  E o de escrever livremente.
 
 
 .... Isto o que eu e toda a gente pensava após a apresentação da abrilíada. Mera ilusão.
   Claro que há, deveria haver, limites para tudo. Mas prometer, prometer, e depois cercear os nossos mais elementares direitos ?... Deixem-me contar-vos.
   Não creio existirem na grande maioria dos portugueses quaisquer dúvidas quanto às virtudes de se viver em liberdade, de se ter mais acesso a uma riqueza melhor repartida de se ser respeitado pela comunidade internacional. Alguns, poucos e não representativos passadistas, apenas servem para nos recordar que os valores da nossa burguesia tradicional não foram os mesmos que na Europa levaram a sua classe a resistir ao nazismo e a combater o fascismo. Mas, por outro lado, vão muito oportunamente escrevendo nas paredes das casas de banho ( vulgo, retretes públicas )como sempre se usou nestas bandas   -   porque doutro modo não podiam  "falar de barato"   - frases como  : « agora? nem dez como o outro endireitavam isto ».  E não é que esses prosadores de azulejo até têm uma certa razão ?!  Na vida para se vencer é necessário muito esforço, muito sacrifício. É lapidar. Mas, caramba, que todos verguem a mola, e não só os mais esforçados, os que quase mendigam para conseguirem a bucha.  Fui criado num ambiente bastante pobre mas onde também existia gente muito rica, mesmo muito rica, mas quando um dia foram chamados a colaborar ninguém torceu o nariz,. E ai de quem torcesse, sujeitava~-se a que torcessem o pescoço.  Éramos pobres e ricos, de diversas classes sociais, que frequentávamos a  escola primária lá do burgo.  Ali "o de Castro " ocupava a mesma carteira do "Tonho" da fábrica. E quando tocava à reguada  ( abençoadas ) o nosso querido professor  - beirão dos quatro costados -  não fazia  " 0descontos " . Todos nos tuteávamos e os mais pobres quando queriam ganhar uns tostões pediam ao ricaço  - companheiro de carteira  -  , que intercedesse junto do papá (Senhor da Parada ) para permitir que os deixassem ir ao privado clube apanhar bolas nos desafios de ténis.Vinte e cinco tostões ?! Vocês podem imaginar a fortuna que era então, quando uma carcassa
ou uma caixa de fósforos custavam dois tostões e meio; um quilo de carapau do alto valia 5 tostões e o tal bacalhau de posta grossa se vendia a 20$00 o quilo !
  Pois um desses senhores , ( com cujos filhos brincámos lá na praia ) pertencia à alta classe dos financeiros deste País. Banqueiro bastante considerado ( até há bem pouco tempo o seu nome perdurava num dos mais considerados Bancos de Portugal, e não só e que fizeram o favor de destruir ) , ouvimo-lo uma vez comentar aos seus pares lá no tal  clube, que «achava muito bem  que lhe cobrassem dividendos superiores à maioria já que a sua fortuna também era considerável » Pessoa excepcionalmente bem formada e com um coração maior que o mundo. Por isso morreu muito cedo.
  Agora, ao contrário, fala-se em milhões, largos milhões, que certos senhores da bolsa, e ate´da política, que pela calada colocam no exterior fortunas incalculáveis e ninguém lhes toca
 
 
( Amanhã acabaremos )

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Desabafos
antigos.
 
                                      VELHOS SEM ABRIGO, MISÉRIA, SUMPTUOSIDADE
                                                         E OUTRAS CONSIDERAÇÕES 
 
 
 
 Porque será que quando se chega a velho  - se não for rico  -  tem de se viver praticamente da caridade pública ?
  É facto que sempre foi assim desde que o mundo é mundo, desde que o ser humano aprendeu a explorar o seu semelhante calcando-o impiedosamente para tingir os seus fins. Bolas, mas isso foi no tempo  " das monarquias em que os grandes senhores viviam na sumptuosidade enquanto o povo morria na mais ignominiosa  miséria. ". Pois ! Mas então esse povo não se insurgiu e não cortou cabeças a reis e rainhas para que se implantasse o tal socialiosmo , quer dizer, o tal sistema daqueles que queriam transformar a sociedade pela incorporação dos meios de produção da comunidade pelo regresso dos bens e propriedades particulares à colectividade, e pela repartição entre todos do trabalho comum e dos objetctos de consumo ? ( É mais ou menos assim, não é ? Se é dá vontade de dizer ao sr. Karl  Marx   - como hoje se usa dizer   - «só contaram p'ra você ? ». Então se a União Soviética se considerou a nação que impunha a todo o mundo  - como exemplo - essa doutrina, e foi a primeira a ceder a tal utopia e a desmembrar-se por completo !... Pudera...Afinal estavam  ( e estão ) escondidas as maiores fortunas do mundo !  Assim que tiraram a "máscara"...  Até deu para comprar os mais importantes clubes a custo de milhões e milhões.Depois a América é que era o país do capitalismo...
  A esperança, diz-se, é a última coisa a morrer, daí que...
  Tudo leva a crer  - segundo as promessas de determinado filósofo  - daqui para a frente vai ser tudo uma maravilha. Vão acabar os despedimentos em massa ; a inflação vai baixar ; o barril do petróleo baixou substancialmente  (  coitado do Zé Eduardo dos Santos que agora só tem, para se orientar, os pacatos diamantes  ) e naturalmente o combustível dos abastecedores, lógicamente,vai baixar também, na mesma proporção, assim como o pãozinho, etç, etç,.  Os grandes cérebros, ao invés do que para aí se propala e dentro do tal princípio contemplado no socialismo, estão profundamente preocupados com a gritante miséria que nos rodeia, dos nossos velhinhos e afins que dormem e morrem ao relento tendo como enxerga alguns cartões de papelão que catam nos contentores do lixo onde simultaneamente até aproveitam restos de comida provenientes dos grandes repastos  daqueles que nem sabem  -  nem querem saber  - que cá  fora se morre de fome...
  Mas é sobretudo nos já velhotes, para quem a vida foi madrasta ao longo dos anos, e não tiveram engenho ou esperteza para se imporem na selva  que os rodeou, para os quais se debruça a nossa maior preocupação.  Quem é que quer saber dos seus problemas ? Onde é que estão os tais arautos do socialismo que prometeram muitos e fundos a um povo que se acostumou a viver, embora com o pouco que tinha, em tranquilidade e em segurança fora dos utópicos sonhos de que isto  - daqui para diante  - ia ser tudo uma maravilha ?
  Sou também um velho, e  é por isso que esses dramas me tocam profundamente. Tenho família, mas podia não ter. Disponho de uma pequena reforma, mas podia não ter, e talvez por isso julgo ter assegurado o alimento e as fraldas no ocaso da minha vida, embora  -  isso é fatal  -  para vir a morrer nessas condições de caridade tenha de pagar tudo o que recebo,  incluindo os tais subsídios de férias e de Natal. Felizmente que não fumo, senão!... nem um tostão me sobrava para por na caixinha das esmolas a Nª.Senhora. Sim porque isso de caridade nessas instituições,é conversa...
  Mas o que nos estranha  - daí o nosso grito de revolta  -  é não haver uma preocupação e, consequentemente, uma organização estatal que se debruce sobre os problemas relacionados com a terceira idade criando lares de acolhimento e afins sem que se tenha de depender de instituições particulares :lares para a terceira idade, que bom...ou das misericórdias, que também não funcionam de borla e que de misericódia não têm nada, antes pelo contrário, algumas conheço eu ( por exemplo, esta de Faro ) que não passam  de autênticas minas de exploração, um grande negócio...diga-se.
  O Estado não dispõe de verbas, é isso ?  Então os Estádios, os TGV, as super e desnecessárias pontes, as multiplas reformas dos caciques  que a política protege etç, etç,? Será que não são muito superiores às que se poderiam aplicar em instalações de apoio à 3ªidade, isto é, aqueles que levaram toda uma vida a trabalhar em prol da comunidade, aqueles que votam em vocês, senhores políticos ?
  Tenho pena que o mesmo se passe noutros países, mas perdoem-me se é egoísmo, mas estou naturalmente preocupado com os nossos. Se o socialismo fosse mesmo socialismo, conforme por aí apregoam, não se teria de assistir ao espectáculo triste e degradante de ver seres humanos a dormirem ao relento, com temperaturas negativas e sem um sopro de carinho e ternura.
~ Menos mal  para eles, pobres que sempre "uma vez por ano" vai acontecendo a quadra do Natal.Então... armam-se tendas e servem-se  umas sopas quentinhas, mas mesmo isso  à custa da caridade de alguns.
  Sabem como se diz no Algarve: "Moce, tenham vergonha nessas fuças.Deixem de explorar o pobre do Zé que em vós já não acredita, nem um pouco".
 

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

       DESABAFOS                                              
       antigos.

                                    " DE VEZ EM QUANDO ACONTECE "


    Por esta ou aquela razão que agora não importa aprofundar até o modestos escrevinhadores, como eu, perdem o apetite de martelar nas pobres teclas da velha máquina.Basta só que nos belisquem  a sensibilidade humana e já está... Mas, para além das ingratidões ou desconsiderações, há sempre alguém que nos faz passar por cima desses pruridos e depois que se dane. Vamos em frente, nem que seja por despedida..., e sempre ouvi dizer  que «quem não sente, não é filho de boa gente ».
  O tema de hoje é que, de facto, de vez em quando acontece e lá vem a simpática  cartinha enviada por anónimo sujeito ( o costume ) a desancar a minha humilde pessoa , afirmando que os jornalistas em geral não passam de uma cáfila de bandidos (sic) que se aproveitam do veículo imprensa para fazerem afirmações sem verdade e por vezes ofensivas !
   Pois! Mas os que nos leram, sempre souberam quem nós somos e quando quizerem podem vir à fala, mas destapados e não a coberto do anonimato, que só revela cobardia e ignorância da verdadeira missão do jornalista, sobretudo daquele que faz do jornalismo a sua ocupação a tempo inteiro, submetendo-se , muitas vezes, a privações e sacrifícios de todo o género, às vezes à custa da própria vida. Então e nós, os amadores ?
  Há quem afirme que os jornalistas fazem críticas ao "sistema" mas não apontam as raízes do mal e que para se poder colher as rosas e os frutos não basta plantar  arbustos e árvores porque, se o terreno é sáfaro, acabam por definhar e morrer. 
  Ora isto é uma opinião com a qual discordo em absoluto.
  Um jornalista não é precisamente um médico ou um agricultor. Quando o jornalista aponta que as rosas são anémicas  e os frutos melados, compete aos técnicos e não a ele, o tratamento adequado; se aponta que uma ferida está infectada,coberta de pústulas,  compete ao médico manejar o bisturi ou receitar os medicamentos necessários ao restabelecimento do corpo do doente.
  O jornalista serve-se da palavra escrita para combater o despotismo, a tirania, a injustiça, o aviltamento. Não será ele quem tem, evidentemente, de substituir as peças no xadrez da  vida. As palavras dos jornalistas devem encontrar receptividade , encontrar eco. A sua missão é apenas alertar quem longe anda de focos infecciosos tapados com o espesso manto da mentira por aduladores  e lisonjeiros sem coragem de tomar a sua quota parte de responsabilidade no erro.O jornalista, portanto, quando critica, quando aponta mazelas, fá-lo apenas visando o bem comum, e evitando males maiores quando devia encontrar compreensão  e amizade, é muitas vezes vilipendiado, hostilizado e, por todos os meios tentam quebrar-lhe o ânimo.
  Os dirigentes e dirigidos que militam em campos diferentes, não podem viver separados pelo vácuo, por uma invisível tela que filtra todos os problemas deturpando-os. Entre esses dois campos há que existir uma ponte de livre circulação, passagem fácil, e essa ponte é o jornalista.
  Não pretendo com estas palavras definir o que é o jornalista exactamente já que os há ( e são os mais importantes, quanto a mim ) dedicados absolutamente à informação. Outros para contar uma pequena história carregam um cesto de prolixidade com entrevistas enfadonhas que ninguém lê a não ser o visado  ( que para isso, muitas vezes, entrou com algum...) . Há aqueles outros que, muito interessantemente, se dedicam ao relato de factos históricos ; os que  criticam ou comentam tudo o que honestamente consideram dever ser falado indo ao encontro, e quase adivinhando os temas, que muitos gostavam de gritar aos ventos ; enfim, imaginem  que até têm o atrevimento de chamar-se jornalistas  aqueles que, como eu, escrevinham estas enfadonhas crónicas mas que, e isso é gratificante, lá nos vão lendo.
  Naturalmente que muitos conhecemos que apenas  se movimentam  nas busca do protagonismo, procurando que com o seu nome venha sempre " a negrito " nos escritos de cordel que atamancam de forma sempre repetitiva e se fazem constantemente  ao " boneco."  Mas esses são outros...
  E por aqui me fico ! 

domingo, 4 de setembro de 2016

    De viagem até lá para uma república oriental...

                                                   

OS   HIPÓCRITAS 


  O hipócrita é uma espécie de  "ácaro "   ( piolho de dimensões minúsculas,geralmente parasita,
 de animais e plantas sendo vector de várias doenças que afectam o homem,  coitado, que quando por ele é atacado se desdobra em múltiplos esforços para o sacudir e afastar para bem longe de si
o que, na maioria das vezes,  se torna quase impossível pois, tal como os seus irmãos,  os piolhos "vulgaris " , não conseguem sobreviver longe do seu hospedeiro a quem vai sugando, mais pos-
sível, o "sangue " de que se vai alimentando tendo por isso algumas semelhanças com o tal  hipó-
crita a quem nos referimos com a diferença de que aqueles até podem ser rechaçados com uma boa rapadela. Alguns dos que me lêem talvez tenham passado por tão desagradável experiência (!)
Nem com DDT  ou tintura de sevadilha ( apocinádea ). Só com a lâmina de barbear, bem em pro-
fundidade. Era chatérrimo, mas radical. Outros tempos, outras desagradáveis circunstâncias des-
sas épocas  de que nos livrámos felizmente e que podemos agradecer ao hábitos de higiene a que
nos obrigámos. Só que, com o hipócrita  não há  super-higiene que resulte.  O  "bicho"  agarra-se à  vítima que nem lapa à rocha e  "daqui mão saio,daqui ninguém me tira ".
   Desdobra-se em mesuras e salamaleques numa postura vergonhosamente pseudo-teatral como é próprio da sua condição de hipócrita, que consiste em dissimular a verdadeira personalidade ou intenções, fingindo sentimentos, opiniões e virtudes que não possui. É como em política : a arte está em "dobrar a servis"...
   Mas se a vítima for esquelética, ou não tiver sangue para sugar, o bichinho passa de largo,mui-
to ao largo, procedendo como se não a conhecesse.
   É, decididamente, uma  das condições mais dignas de desprezo aquela que caracteriza o hipócri-
ta, o interesseiro miserável e sabujo que chega a rastejar para obter favores não se importando ser calcado para alcançar o fim pretendido.
   São nojentos esses sujeitos só nos merecendo, repito, desprezo absoluto.
   Volto a repetir: fosse a vítima insenta do tal "sangue"-$$$ ( leia-se outra coisa... )e sem dúvida ignorariam a sua existência, e não recorreriam às periódicas sangrias ).
   Não é menos verdade que existem as pseudo-vítimas que muito bem representam o papel de 
" sugado " quando também estão a tirar dividendos desses comportamentos. Sabem bem que es-
tão a ser manipulados  ; sabem bem que tudo não passa de fingimento, mas... como ainda há muito
sangue para  sugar...
   E como os sugadores até, valha a verdade, compensam outras carências... prestam alguns ser-
viços...já que se o sujeito é muito rico em "sangue ", deixa   -  como antigamente se usava dizer  -
ser sangrado de vez em quando.
   Pode ser que até faça bem à saude uma sangradela a preceito...
   Não sou anémico, mas também não transbordo de "sangue ".
   Talvez por isso os tais "ácaros " não se aproximam de mim, nem para dar uma ferradela...

   Que sejam felizes com os beiços a escorrer o tal sangue !


- Não confundir com " flebotomias "...

quinta-feira, 1 de setembro de 2016



                                          A  PRIMA  ALDEGUNDES 
                                       DO  MEU AMIGO ANTÓNIO




   Há dias tive a oportunidade de estar ( no bom sentido,claro...) com a prima do meu amigo António, a Aldegundes  - não sei se já !ouviram falar dela !
   Conheci-a quando aqui esteve de visita aos seus parentes da cidade nuns dias em que estava de férias do seu cargo de professora primária, lá para os lados da serra, numa terra simpática e bran-
quinha que dá pelo nome de Congorsa, nome que dá uma certa  dificuldade em denominar os seus nativos. ( Congorsianos ?, veja-se se isto é nome !    Se um dia lá fundarem um clube de futebol co- mo é que vai chamar-se ?
   Mas voltemos à prima Aldegundes ( do António,claro ),  que embora já esteja casada há dez a- nos ( o marido é revisor dos Caminhos de Ferro ) e tenha um garoto de oito, o Joãozinho ( esper-
to e ladino  -já está na 4ª classe o pinpolho !) mantém aquela jovialidade dos 18 anos embora ela já tenha completado os... ( não se diz a idade de uma senhora )- é que casou muito tarde, não porque
não tivesse pretendentes ,pelo contrário: apetitosa e desenvolta, não houve moço do seu tempo, que estivesse  a estudar em Lisboa, que não a cortejasse e lançasse o isco a ver se pegava.Mas 
isso sim, nem pensar ! A Aldegundes teve a sorte de ser criada num ambiente dos bons costumes
de antanho e homens, só depois do altar, pois  claro !, nada como esta juventude de agora que nun- ca chegam a conhecer o doce sabor do namorico e a satisfação da   conquista, pois quando ainda mal lhes despontam os primeiros pelos no rosto (deles) e noutros  sítios ( nelas ), já se prostituem de tal modo que  envergonham a chamada " mulher da vida ".    Tristemente, é verdade, e assim nunca chegam a saber o que é o verdadeiro encanto  da verdadeira vida matrimonial. Não há po-
esia, não há romantismo em qualquer dos seus actos.São como quaisquer animais, dos chamados
inferiores. Que pena !
   ;Mas não se pense que essa maneira de ser e de estar na vida , em que a depravação reside pa-
redes meias com pecado clássico, só se atribui aos jovens exclusivamente, o exemplo vem detrás dos próprios pais, que se desinteressam dos actos dos filhos, pais que, por sua vez,  muitos deles, 
vivem sem rebuços com a miséria moral de todo o tipo...
   A filha tem apenas 15 anos, e o "namorado" já lá vai dormir ( com ela ) a casa dos pais  "  Foi 
descoberta a pílula, que importância tem ?. E mudam de "namorado com a mesma facilidade como em mudo de cuecas, ( e eu sou muito asseadinho, diga-se em abono da verdade, que é um compor-
tamento que me vem de pequenino e não foi adquirido ! ),mais isso até nem é de estranhar porque, como disse, o exemplo vem detrás, com  a postura dos pais ao longo dos seus turbulentos casamen
tos ( ou ajuntamentos  ) que dá o mesmo.
   O homem foi toda a vida um libertino, mulheres era com ele   - em solteiro,tá visto   -  Casou-se,
(o que antigamente era normal,  mas hoje não ) convencido que a sua adorada esposa  iria  ao en-
contro de todos os seus anseios  ( não de ordem sexual apenas, sublinhe-se )mas de algo mais pro-
fundo, mais espiritual, afinal o que o distingue do animal comum. Mas se assim não aconteceu por
razões de ordem vária e o fio que a meada da paixão tinha urdido, de repente quebra-se e a âncora do amor onde se julgava segura rompe-se,  o homem volta a vogar sem rumo,  sem destino procu-
 rando outro farol que lhe  "ilumine o tal caminho "  para porto seguro a que,  afinal  tem o justo direito.Também, não há problema, pois  a mulher além de aceitar a situação como normal, parte  "para  outra " e acabamos por viver à americana.  Seja com outros... ou com outras ...as experi-
èncias não são de rejeitar nem de condenar. Pois se a sociedade actual também não leva a mal!... Nem toda, claro, ainda à aqueles que se repugnam com os actos contra-natura. Lares conheço eu que se desfizeram por mulheres se apaixonarem por outras mulheres e homens que perderam o  interesse pelas "Evas " que vivem a seu lado e seguindo o chamamento  daqueles carateres ocul- tos que por lá andavam, partem para outras experiências... O pior é que o vicio sexual  com o tem- po esfuma-se e depois resta a consolação de um viver a sós, sem ninguém,mesmo.
   Caímos na depravação generalizada e já não se houve falar naquele casamento à moda antiga :  
-  comigo casaste, lado a lado nos despediremos desta vida. Até lá, com alegria ou tristezas, com
muito ou com pouco, com facilidades ou dificuldades, seremos sempre um para o outro  - sendo que a família mão pode nem deve admitir divisões entre pais e filhos, mas todos fazendo parte do
todo na base do respeito e do amor recíproco.-
   Que lástima a forma como hoje se encara o matrimónio. Ou será "namoro" que deve chamar-se.
   Como pode culpar-se um jovem das atitudes que toma se são os próprios pais que os iniciam a tomar certos comportamentos ?    Que nome deverá dar-se a quele pai , ou mãe, que incapazes de combater os seus próprios traumas, fazem do filho a arma de combate contra o outro companheiro,
alimentando o ódio pelo pai em vez do amor e respeito, colocando os filhos fora dos seus próprios
problemas. Não havendo amor em casa o jovem procura no sexo e na droga o consolo que lhe falta
no  " lar que não possue " ?
   Que tristeza este tipo de matrimónios de agora !
    É por isso que invejo  a prima Aldegundes  ( do meu amigo António ). Ali, na sua casinha da ser-
ra, tudo cheira a simplicidade e àquele amor de antigamente.    A ternura e a vivência naquele lar são tão branquinhas como as paredes das casas  daquela aldeia perdida nas serranias.
   Por  isso a Aldegundes mal aqui chegou quis logo ir-se embora pois sentia-se abafar pelos mias-
mas da sociedade podre que veio encontrar.

José Clarel
Um velho, já ultrapassado.
( Ou não ?)


                                                                        

terça-feira, 30 de agosto de 2016



                    O  obscurantismo,a droga e os barões


 Quando eu era menino e moço, no tal tempo do "obscurantismo", isto é:- quando se podia a qualquer hora e por qualquer rua de qualquer povoação deste Portugal velhinho sem que nada nos incomodasse, para além duma possível gripalhada se andássemos de madrugada na boémia mal agasalhados, quando os valores morais que nos orientavam eram -respeitar os nossos pais, os mais velhos, as filhas dos outros, a autoridade constituída legalmente, a noção de patriotiosmo e regionalismo e Deus sobretudo, por isso mesmo, sem sombra de dúvida, vivíamos mais desafoga-
dos das preocupações que hoje nos afligem. Seríamos mais pobres, sim senhores, mas também o bacalhau era a comida dos pobres e hoje nem os ricos lhe chegam !  E se o obscurantismo é viver fora dos meandros da política, que felizes vivíamos nós, os mais humildes e que não tínhamos  a pretensão de angariar  "tacho" para viver sem fazer nada, que hoje é a principal intenção dos que enveredam por aquela via.
   Tacho e honrarias e cargos a troco de promessas de que farão tudo em prol do Zé Povinho.  E,
pelos vistos. isto é em toda a parte do mundo, o que me leva a acreditar que isto acabará numa bola de fogo.
   Agora o canto modificou-se, passa a dizer-se :  " As armas dos barões são assinaladas,p'la droga, p'la política ou futebol ".
   Ao que nós chegámos !!!
   Sô  "Zé Maria Pincel " não diz quatro seguidas e cultura ?, já'tatendo. Mas como ele andou a encher paredes  ( dos outros ) de cartazes p'ra campanha, o "partido" achou que o bicho merecia um tachozinho, e eize-o à frente p'raí duma junta ou algo parecido. Tá bem, é compreensível. Afi-
nal trata-se apenas de mais uma  das jumentices da nossa decrépita sociedade. Isto é na política,
e no futebol pouca diferença faz no que concerne  à mais valia dos intervenientes desse fabuloso negócio que movimenta milhões  -ou melhor  - biliões.  Mas também se aceita.Afinal só entra no meio quem quer e até porque, na essência, o futebol é uma forma de desporto e, como tal, quando bem aproveitado e conduzido honesta e decentemente, só traz benefícios aos jovens.
   Mas... a droga  Para isso não pode haver um mínimo de condescendência ou de justificação pa-
ra quem se aproveita desse nojento e cobarde negócio.  Com os barões da política,  embora  ri  -
lhando os dentes ainda vamos aguentando, quando mais não seja com a nossa indiferença. com os do futebol - idem, idem, aliás  até dá para rir de vez em quando. Agora com os da droga !!!
   É que o problema não está só nos desgraçados que caem nesse flagelo, que, coitados só mere-
cem a nossa comiseração e até, se pudermos, o desejo de ajudar na medida do possível. Porém com os traficantes, com essa cáfila de bandidos que através de um negócio porco vão destruindo a nossa juventude? Só obrigando-os a provar do próprio remédio, mas até ás últimas consequências.
Para estes, para os traficantes  "profissionais ", ainda vai havendo uma certa repugnância da so-
ciedade e alguma actuação das autoridades responsáveis, pese embora,  os  agentes  que actuam
pondo em risco a própria vida, para além dos enormes sacrifícios que suportam, muitas vezes se sintam defraudados com a benevolência dos tribunais. O  pior é que existe uma outra classe de
traficantes que não pertence aos tais chamados "profissionais", classe essa que para além do ne-
fasto mal que andam a provocar, até nem tem razão  ( se é que há alguma razão que o justifique )
para se meterem nesse negócio dado que até têm uma vida económica bem estabilizada, bons es-
tabelecimentos, bons automóveis, boa vida, enfim. Por isso ficamos surpreendidos quando de re-
pente nos chega aos ouvidos que fulano,  cicrano e mengano "foram dentro " porque andavam no narco-tráfico ! Meu Deus, isto brada aos céus  Ao que nós chegámos !
   Aqui pelo burgo, há pouco tempo, foi uma leva deles, e se eu começasse a citar nomes, certa-
mente os meus leitores caiam de c...ostas. Nomes sonantes que, aparentemente,  até mereciam certa consideração dos seus conterrâneos, andavam metidos no mais imundo negócio que se pode admitir. Que nome se pode dar a essa corja ! Será que não têm filhos ?  E agora meus amigos con-
tinuam a apertar-lhes a mão nos encontros da rua de Sto. António, ou cospem-lhes na cara, que é o que merecem ?
   Enfim...- São desabafos.


  José Clarel