sexta-feira, 17 de outubro de 2014



DESABAFOS


                                        CASAMENTOS SEM FUTURO
                                             Visão dum’fora da época


 


   Seja radical ou reacionário dificilmente alguém poderá negar que o caos imperante na moral moderna é um problema a reclamar estudo amplo e compreensivo.Certo é que haverá radicais considerando a transformação com pesar e cautela próprios de conservadores, e tão pouco faltarão conservadores que a acolham com entusiasmo de radicais. Entretanto essas divergências e contradições são, antes, de carater  individual do que de carater social.  A nossa atitude para o sexo e a vida familiar acha-se determinada estreitamente pelas complexidades das reações emotivas inculcadas em nós desde  a infância. Obrigaram-nos a considerar o sexo de determinada maneira e as relações sexuais assumiram determinadas formas, admitidas, as mais das vezes, sem a menor atenção ao progresso histórico ou às conclusões científicas.  É extremamente difícil subtrairmo-nos  essas coisas , tocadas por uma miríade de associações e incrustadas na personalidade, por assim dizer graças a experiências cujo número excessivo torna impossível a recordação.
   Antigamente todos queríamos que a vida se movesse dentro de moldes rígidos e simples. Poucos haveria que pusessem em dúvida que as transformações fundamentais da sociedade contemporânea viriam a ser o resultado da nova estrutura económica da existência.
   O mundo acabou por se encontrar numa transformação revolucionária do tema. Não é preciso dizer que em alguns lugares essa transformação se verificou mais depressa  e em mais desenvolvida forma que  em outros. Era inevitável.     A desagregação da família e a decadência da instituição conjugal do mundo moderno, acompanhada do impulso e da rebelião da juventude, constituem produto revolucionário da nossa civilização.
   As revoluções não são acontecimentos repentinos que sobre nós se despejam como um golpe inesperado nas trevas.
   Estava em 1952 quando, perante a juventude de então lá nas Américas, já me sentia a adivinhar ou prever, a revolução do futuro do tema em causa. Hoje estamos nesse futuro e nesta época o monismo sexual  adquiriu importância preponderante. O sexo, para uns, converteu-se em obsessão e para outros, a grande maioria, considerada a classe jovem, no mesmo que para os animais da pré-história. Isso é devido, em parte, à tenacidade com que se tem afastado o estudo do problema sexual  e, principalmente, às transformações operadas nas instituições objetivas que tem permitido a emancipação de tais assuntos tirando-os da reserva e do silêncio precedentes. Embora o sexo seja uma das forças mais profundas da vida humana, não tem determinado as transformações sociais nem o progresso económico. A ética sexual é um efeito que uma causa  no progresso das relações sociais, e reflete em vez de determinar, a natureza do referido progresso. O que vemos, pois,  na revolução moral que se tem produzido em nossa época, é o clarim anunciador de uma revolução na vida social que vem tombando em cima de nós. A velha sociedade encontra-se  em  absoluta decadência.  A sua velha moral, chegou à  “bancarrota “. A nova moral (?) é o resultado da sua rápida desagregação e do seu caos. A independência económica da mulher, antes da guerra, já se havia convertido em realidade crescente.  A dita “nova moral “, já começava a agitar-se antes da guerra. Entretanto a guerra veio imprimir rápido movimento a essas forças. E  entretanto também a sua influência imediata e direta foi enorme.
    Como se disse, a luta contra as tradições  velhas e caducas, nunca é uma luta desenvolvida num só campo ou de uma única maneira. A presente luta contra a ética sexual  das gerações passadas não é senão uma parte de outra luta mais vasta contra os antigos métodos de vida. A rebelião num determinado terreno, só pode triunfar genuinamente, se efetua também nas demais esferas da vida. A rebelião moral contra uma ordem velha, não poderá contar com o êxito, enquanto a referida ordem seguir dominando noutros aspetos da existência.
   Estas considerações, para alguns de um louco,  visa afirmar que a atual juventude perdeu inabalavelmente as suas ilusões quanto aos seus fins e inspiração. As guerras, a sociedade e os pais, perderam, ou desinteressaram-se pelo futuro da juventude deixando-a vogar ao sabor das águas o que, inevitavelmente, acabam em estrondosos naufrágios. O amor em toda a sua beleza e plenitude, não existe mais. Vive-se sem ternura e sem o carinho que antigamente presidia ao sagrado desejo do matrimónio. Por isso, e já se disse, o sexo acontece sem compromissos e sem paixão
porque aquilo que no mento chamam paixão não é mais que um arrebatamento dos sentidos, o mesmo que acontece com todos os restantes animais, ditos, irracionais. Passada que foi essa tal  “paixão “, satisfeito que foi o desejo animal, tudo fica em nada. Daí que por esse motivo os casamentos de hoje já estão condenados à partida.
   Quando mais atrás fiz referência a América  ( neste caso, do Norte ) estava a recordar como ali se comportavam as jovens de então : sexo ?, só após o casamento. E olhem que sei o que estou a dizer… Agora   tal princípio e tal moral não existe mais.   A tal América de então é constantemente testemunha de centenas de casos de mães solteiras. E o pior é que a maioria são garotas de 14 , 15, 16, anos….Tal como cá... A solução, a maioria das vezes, são bebés entregues em casas de adoção. O aborto provocado é severamente punido. Aliás como cá.
  Sinceramente que não entendo a mentalidade dos jovens de agora, mudam de par como quem muda de camisa.  Pode haver amor com tanta alternância e promiscuidade ?
   E pergunta-se : afinal qual a verdadeira razão destas existências ? Luta-se porquê e por quem ?

   Sinto-me feliz por ser do tempo das  “velhas e caducas tradições “.
   Choro a juventude de agora…
  



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