quarta-feira, 15 de outubro de 2014



 ALGUMAS DAS RAZÕES DA SAUDADE DA NOSSA  INFÂNCIA
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  Para além das nossas brincadeiras, jogos o tudo mais que caracterizava a vivência da nossa meninice mesmo com algumas traquinices à mistura, sentimos uma natural vaidade em poder afirmar que nunca, nesse tempo, conhecemos  caminhos que nos conduzissem à devassidão e à falta de respeito pelos nossos maiores ou pela Sociedade em geral.
  A educação que então  se ministrava à criança, assentava fundamentalmente nos conceitos  de amar Deus, Pátria e Família sobretudo, e nunca nos fez mal seguir tais diretrizes, antes pelo contrário..
  Certas “cabeças pensadoras, cérebros pseudo-sabedores” de agora, criticam os outros tempos como algo ultrapassado que assentava apenas em dominar e a seguir um só caminho. Não discuto as suas opiniões. Apenas que os nossos livros escolares de então, desde A FABULOSA CARTILHA DE JOÃO DE DEUS – (por onde aprendi ), para além das letras e números ensinava-nos a respeitar os referidos princípios, e em boa hora assim foi porque felizmente, aprendemos a não trilhar os caminhos  destas mocidades de agora “ altamente evoluídas”.
  Todo o mundo tinha de frequentar a escola, era obrigatório nem que fosse a primária.  Não era permitido o analfabetismo .As escolas oficiais eram gratuitas. Para além disso existiam outras para gente bastante carenciada e algumas ainda  que estavam ligadas a instituições especiais como a Casa dos Rapazes ou da Casa dos Pescadores de Cascais, instituição de carácter particular que foi fundada para, de algum modo, ajudar a classe piscatória da nossa terra que, então, era muito numerosa. A  principal ajuda consistia precisamente na sua escola de ensino primário e profissional, albergando  dentro das suas paredes uma população infantil que também beneficiava de duas refeições diárias e em cuja confeção colaboravam as mais velhinhas das alunas que,  na Casa de Trabalho Feminina,  aprendiam também a costura e trabalhos domésticos.  Destas  refeições partilhavam os rapazes da Escola Elementar de Pesca cujas aulas funcionavam em local diferente, num ambiente marítimo e com um programa em que se incluíam como base principal e   fundamental sobre que assentava toda a instrução, sólidos princípios de respeito, disciplina, educação cívica e  cristã.
   Também por intermédio do seu refeitório , eram assistidas algumas viúvas de associados, além dos pescadores inválidos e enfermos, cujas condições de tratamento  exigiam um regímen de alimentação abundante e sadia.
    Desculpem ter-me alargado, mas sempre que me lembro da saudosa e utilíssima Casa dos Pescadores de Cascais…onde algures, numa das suas salas encontravam-se escritos uns provérbios que não resisto em transcrever. PROVÉRBIOS com sabor a peixe : - “ Sardinha sem pão é comer de ladrão “ – “ Sardinheiro vende sardinha e come galinha “ – “ A mulher e o peixe do mar, são difíceis de agarrar “ – A mulher e a sardinha, da mais pequenina “ – A mulher e a pescada, da mais grada “ – Peixe e cochino, vida em água, morte em vinho “ – “ Se queres aprender a orar, entra no mar” -    “ Marido  barca,  mulher  arca “ –  “ Barqueiro  não  paga  a  barqueiro “ –     
“ A sardinha é como a tinha,  em qualquer  parte  se aninha “-   “ Sardinha de verão, pinga no pão “ – “ A sardinha onde almoça não janta,  e onde  janta  não ceia “ .
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