quarta-feira, 23 de abril de 2014

A MINHA ESTÁTUA,
     OS FANTASMAS E A ETERNA INGRATIDÃO

    Aprendi com o meu pai  - e sobre isto já várias vezes  escrevi  -  que enquanto vivos é que nos deverão erigir a estátua.   « Ó filho, isto do a título póstumo ? Favas "! Já cá não estamos para ver que o nosso tra-    balho foi reconhecido  e sentirmos que de algum modo  até fomos úteis à sociedade. Não que pretenda a tal medalha ou honrarias, o que gostava era de ir para o Céu  (?) sabendo que enquanto por cá andei semeei amigos que me irão recordar enquanto fizerem parte do número dos vivos.».
   Quanta razão ele tinha quando dizia « foi-se embora de consciência tranquila, diga-se  - e só então resol-   veram dedicar-lhe, lá na aldeia, uma ruazita com o seu nome. Menos mal !, e menos mal ainda porque não mereceu essa distinção por motivos de ordem política, senão mudavam-se as "cores" e a rua passaria a cha- mar-se , talvez, a do  " camarada tal ", exactamente como se tem verificado nestes últimos anos em referên-  cia a tantos gabirus ».
    E isto do:  " a minha estátua " , vem a propósito de que afinal eu, sem um mínimo   merecimento, porque nada fiz de especial em prol do meu semelhante, ainda por cá ando e já mereci honras de estátua... É ver-  dade ! E querem saber como cheguei a essa conclusão? Pois... foi quando tive conhecimento de que estas despretenciosas crónicas merecem a honra de serem lidas por um grande  Senhor do jornalismo e das letras.
   - « Olá fulano, como vai passando ? Olhe li há dias com muito agrado aquele seu escrito sobre...»
      Não sei se o escrito tem algo de valor literário, nem me importa. O que me importou e envaideceu foi o  saber ter merecido os favores da sua atenção, o que já não será a primeira vez, diga-se.
     E aí está a minha estátua erigida : - ter sido lido por quem fui.
     Bem me disse um dia o meu  saudoso amigo Padre Júlio Tropa Mendes quando afirmou   « por muito humildes que sejam os nossos escritos e por muito desinteressantes que pareçam, há sempre alguém no mundo que nos lê »-
      Talvez por isso e apenas "por amor à camisola ", vou teimosamente escrevinhando.Principalmente os meus lamentos, os meus desabafos, porque a isso  ( valha-nos Deus ) ninguém se pode opor.
       Não sou  um primor a escrever, reconheço. Mas em compensação sei ler muitíssimo bem. Dou-vos um exemplo  que corrobora esta afirmação que algo tem a ver com a tal INGRATIDÃO.Refiro-me a certas pa-
lavras que há dias li  " algures ":
          « Como começou bem o ano 2014  e o carnaval já não demora muito, alguns dos fantasmas foram 
             afastados.
               O pior são os outros que persistem  em não nos abandonar e para os combater serão necessárias
              muitas energias...  »

                                                              Não é. Mas poderia chamar-se   " Desabafos fantasmagóricos "...
      "