domingo, 5 de janeiro de 2014

UM NATAL DE LÁGRIMAS

UM NATAL DE LÁGRIMAS - O que se passa no coração do homam ? - O que se passa no coração da humanidade ? Duas oportunas pereguntas que S.S. o Papa Francisco lançou aos quatro ventos, talvez, para que todos possamos refletir um pouco e procurar inserirmo-nos no enorme vazio que o mundo a pouco e pouco vai cavando à sua volta. O meu Natal - Natal que todos deveríamos sentir,procurar o amor e rezar a Deus para que nos salve do eminente caos que se adivinha, embora junto da minha já diminuta família, foi um Natal de esforço e de mágua por pensar muito em todos aqueles que nesta altura nem um pedaço de pão duro tenham para tragar. Que morrem â míngua de carinho e de amor. Que virando os olhos pisados de dor e sofrimento para o céu na busca da esperança e da oração que para o infinito dirigem, só encontrem a resposta do silêncio, da imensidão que os cobre. São milhões os que - de cara descoberta - morrem à fome por esse mundo fora. São milhões que, por vergonha, ocuiltam o rosto para tapar a miséria - e também a fome - que certa sociedae provocou roubando-lhes o direito mínimo do ganha-pão. São milhões que mendigam as sopas da caridade porque lhes negam o direito ao trabalho. São milhões, e não só em Portugal, que por todo o mundo anunciam o temido fim... Isto enquanto outros, mercê do que àqueles durante uma vida inteira, foram roubando bago a bago, vivem como nábabos - porque o são - escandalizando o ser miserável pelo imenso que esbanjam. Gastam-se fortunas imensas em queimar o inútil Fogo de Artifício esquecendo-se que com uma parte desse dinheiro se mitigava a fome a quem nem dinheiro tem para acebder uma vela. E quando esse queimar de dinheiro imenso se acaba,as gotas icendiadas que restam e caem em direção ao solo, julgamos serem as lágrimas de Cristo chorando e sofrendo, por cada uma delas poder ser um naco de pão. Já lá vão uns anitos quando a Noite de Natal, para nós garotos então, era uma promessa de surpresas e alegria na perspetiva, custando a esperar pelas prendas trazidas pelo Menino Jesus. Era uma época que, embora longe da riqueza e do fausto, havia a alegria na esperança e no dia de amanhã. Hoje esta época é de mentira. Já não há Menino Jesus. Como quase tudo o que nos rodeia, há de importação um velhote a que chamam o Pai Natal. Não estou desesperado, graças a Deus. Mas estou triste, muito triste, tão triste que se me caem, face a baixo, lágrimas de pesar. É um Natal de lágrimas para mim. José Clarel Natal de 2013

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