domingo, 9 de junho de 2013

desabafos


AO CUIDADO DOS CORAÇÕES ROMÂNTICOS


  ponderando
                                                             BRANCAS E MORENAS



  ...Chego às vezes a duvidar de quais gostarei mais. Mas a verdade é que gosto muito mais das BRANCAS.
  - Sabeis porquê ?
 Porque me parecem mais inocentes, mais lânguidas, mais voluptuosas.
 Porque creio que numa branca com os olhos azuis há um bocadinho de Céu, subtraído a S.Pedro num momento de distração.  E mais,  porque a não compreendo ciosa soberba ou intransigente.
   Poderá ser leviana, isso sim, abandonada, descuidada e hipócrita... mas se lhe falarem ter- namente : - arrebatamentos, acessos, convulsões.
  Uma branca poderá desmaiar, e até me parece que essa debilidade faz parte integrante  da   sua constituição física. Mas, em compensação, não arranhará pessoa  alguma, não morderá,   nem fará outros excessos similares.
  A branca tem, ou deve ter, considerado em abstrato, a positiva vantagem de se alimentar do ar (é uma maneira de dizer, claro) o que é um erro positivo, considerada a questão  sob o   mais grosseiro materialismo.
   Imagino uma branca como se fosse  um merengue de leite. Imagino-a fria como a neve, in-   constante como um passarinho...
  Isto, que para o vulgo, significará pouco, ou talvez nada, não deixa de definir um carater.
    Oh! Branca ! Branca !
   Mas... a verdade é que , onde não está uma morena estão todos  calados.
    Sabeis o que é uma morena ?...
    Pois... os seus olhos são capazes de provocar uma revolução. Mas, não só isto, ainda muito mais porque uma revolução é ordinariamente provocada não pelos olhos mas sim pela boca
Dois olhos negros brilhantes que falam sós e que dizem mais do que querem...
    O olhar da morena é um poema.
    A morena atrai como a sereia.
   Seu coração  é uma fogueira  e nela se abrasam em qual lâmpada estouvadas borboletas, toda a classe de encantos,
   Amai uma morena e  hei-vos loucos.
   Elas também sabem dar mimos, mimos que doem, que contundem nos momentos críticos.
   Isto constitui uma outra beleza, selvagem não há dúvida, mas que é de raça.
   Conheço mais de um marido cuja morena o mimoseia e acaricia com elegantes ternuras, algumas de espécies, mais ou menos variadas, destes mimos selvagens. Ora estes mimos são:  ciúmes, e ciúme significa amor; amor é o diapasão do maior ou menor afeto, e se o ciúme  for  em alto grau o amor também o é .Eis pois a razão do contentamento do bem a- venturado.
    ! A branca faz de um homem um santo.
         !  A morena pode fazer dele um demónio.
  !   Eva devia ser morena !
      Se uma branca nos diz : amo-te ! caímos a seus pés.
          Se o diz uma morena, caímos em seus braços.
      Por uma branca chegaremos a compor um poema.
          Por uma morena conquistaremos o mundo.
    Num país de brancas, só brotarão  violetas e sensitivas,.
         Num país de morenas, rosas e cravos.
      Um, exército de brancas venceria sem disparar um tiro.
          Um de morenas promoveria uma nove guerra.
      Alexandre, Aníbal, Salomão e tantos outros que transformaram a terra, deviam estar enamorados de morenas.
     Camões morria por uma mulher. Aposto que Natércia era branca ?!
       Todos os poetas bucólicos descrevem uma pastora sensível terna e  enamorada .Esta pastora é branca com certeza.
    Todos os poetas heroicos  incenseiam  uma nobre dama, ilustre, valente e intrépida.
    Esta nobre dama é morena...

                         CONCLUINDO

   As espécies degeneram;  as raças debilitam-se, isto é um princípio imutável.
   Pois bem ! Deste princípio se depreende que hão saído : as peles negras, as peles vermelhas, as brancas, as morenas, as trigueiras, e... as indefinidas.
   Mescla perfeita  donde se revela o seguinte  : “ que das cores ou gostos não há nada  escrito, e que o homem é polícromo em questão de cores. “

     Enquanto a mim, direi que tenho dias, ou mais, que tenho horas.
    Porque, ao começar esta ideia  - no mínimo bizarra  - e sem fundamento, gostava das brancas, e ao terminar prefiro as...
   
      SEI LÁ  !




                         José Clarel,
                         Num momento inspirador, confiou neste papel: - urticária do amor.
                                Em – um dia de sol de Junho, a tremer de frio (o dia) .

 NOTA-  Reservado todos os direitos e para todas as línguas  ( incluindo as de bacalhau ou de vaca estufada   )   que não seja a má língua das senhoras  e de sogras pegajosas ,  ( salvo raras exceções ) .

                                         

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